Familia faz vaquinha para custear PET-CT de paciente com cancer no DF
Exame e apontado como urgente para definir tratamento apos metastases; Secretaria de Saude nao informou o tempo de espera
A família de Marileide Fontoura abriu uma campanha de arrecadação on-line para pagar um exame PET-CT que, segundo os parentes, é urgente para definir o tratamento contra o câncer que ela enfrenta no Distrito Federal. A paciente aguarda atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e depende exclusivamente da rede pública.
Marileide já havia tratado um câncer de língua e recebeu recentemente o diagnóstico de recidiva da doença. Exames apontaram metástases nos pulmões e nos rins, quadro que torna o PET-CT o passo necessário para mapear a extensão do câncer e definir a conduta médica. Sem condições de arcar com o custo do exame e das demais despesas do tratamento, a família recorreu à plataforma Vakinha.
O filho da paciente, Felipe, afirmou que a maior dificuldade tem sido depender apenas do sistema público para conseguir acesso ao tratamento. Os familiares relatam viver dias de angústia diante da demora para a realização dos exames.
O que é o PET-CT e por que ele pesa nesse caso
O PET-CT combina tomografia computadorizada com medicina nuclear e mostra, em uma única imagem, tanto a anatomia quanto a atividade metabólica das células. Em oncologia, é o exame usado para localizar focos de doença que a tomografia comum não detecta e para verificar se um tumor voltou depois do tratamento, situação exatamente igual à descrita pela família.
O procedimento é oferecido pelo SUS em serviços habilitados para medicina nuclear, estrutura que exige equipamento específico e produção do radiofármaco usado no exame. É essa concentração da oferta que costuma alongar o intervalo entre o pedido médico e a realização, e foi o custo de fazê-lo pela rede privada que motivou a campanha da família.
O que diz a Secretaria de Saúde
Procurada pela reportagem que revelou o caso, a Secretaria de Saúde do Distrito Federal não informou o tempo de espera do procedimento, citando a proteção de dados do paciente. A pasta também não apresentou prazo para a realização do exame.
O caso chega ao noticiário no mesmo período em que a rede pública do DF divulga mudanças no fluxo de atendimento oncológico. A Secretaria de Saúde afirma que um novo modelo reduziu em 63% o tempo de espera para o início do tratamento de câncer no Distrito Federal. Os dois quadros convivem: a média cai enquanto casos individuais permanecem à espera de etapas específicas, como exames de imagem de alta complexidade.
Quem quiser contribuir com a campanha encontra a arrecadação na plataforma Vakinha, no nome da paciente. A família informa que os valores são destinados ao PET-CT e a despesas do tratamento.