Anvisa proíbe dois lotes de remédio para esclerose múltipla: como conferir a caixa e onde trocar no DF
Os lotes H7953B14 e H7953B06 do Ocrevus saíram de circulação por entrada irregular no país. Veja onde conferir e o que o paciente do DF faz agora.
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A Anvisa mandou apreender dois lotes do Ocrevus, medicamento usado no tratamento da esclerose múltipla, e proibiu o uso, a venda, a distribuição e o transporte deles em todo o país. São os lotes H7953B14 e H7953B06, da apresentação de 300 mg/10 ml. A decisão saiu na sexta-feira, 25, no Diário Oficial da União.
A medida está na Resolução-RE nº 3.751, assinada pela gerente-geral de Inspeção e Fiscalização Sanitária da agência, Renata de Lima Soares. O texto registra o número do expediente que originou a ação, 0972352/26-8, e aponta como base legal o inciso XV do artigo 7º da Lei 9.782, de 1999, que autoriza a Anvisa a adotar medidas preventivas quando há risco iminente à saúde.

Por que só esses dois lotes foram proibidos
O problema não é o remédio. É o caminho que essas caixas fizeram até chegar ao Brasil. Segundo a Anvisa, as unidades foram distribuídas em julho pela LAF Med Distribuidora de Medicamentos e Materiais Hospitalares, CNPJ 27.631.296/0001-03, empresa com licença sanitária cancelada e Autorização de Funcionamento inativa desde outubro de 2025. Sem essa autorização, a empresa não pode distribuir, comercializar nem importar medicamento nenhum.
A agência informou ainda que os dois lotes foram fabricados regularmente pela detentora do registro, mas eram destinados a outros países. Como a entrada no Brasil foi irregular, não há como garantir que a temperatura e as demais condições de conservação tenham sido mantidas do início ao fim da cadeia. Ocrelizumabe é um anticorpo monoclonal aplicado por infusão venosa: perda de conservação compromete o produto.
A Roche Farma Brasil, dona do medicamento, afirmou em nota que as unidades estão identificadas em idioma estrangeiro, que não reconhece essa distribuição e que não tem relação comercial com a LAF Med. A empresa acrescentou que não há qualquer apontamento de qualidade ou segurança sobre o Ocrevus que ela própria importa. A LAF Med, procurada pela Agência Brasil, não havia se manifestado até a publicação desta matéria.
A mesma resolução alcança outra empresa. Todos os medicamentos manipulados estéreis produzidos pela ICT Farmacêutica entre 31 de agosto e 2 de setembro de 2026 foram recolhidos, com suspensão de venda, distribuição, manipulação e propaganda. A inspeção encontrou falhas críticas em instalações, monitoramento ambiental, processo asséptico, validação de esterilização e garantia de qualidade, em desacordo com a RDC 67, de 2007.
Como conferir se a sua caixa está na lista
O número do lote fica impresso na caixa e na embalagem interna, quase sempre ao lado da data de validade, precedido pela palavra "lote" ou pela abreviação "L". Compare com H7953B14 e H7953B06. Se bater com um dos dois, não use e não descarte: a caixa é a prova do caminho que o produto fez.
Um segundo sinal é a escrita. A Roche registrou que as unidades irregulares estão rotuladas em idioma estrangeiro. Bula e rótulo de medicamento aprovado para venda no Brasil saem em português. Embalagem de remédio de alto custo em outra língua, entregue fora da rede pública ou de farmácia com licença, é motivo para parar e perguntar antes de aplicar.

Onde o paciente do DF recebe o Ocrevus
No Distrito Federal, medicamento desse porte sai pelo Componente Especializado da Assistência Farmacêutica, o CEAF, conhecido como farmácia de alto custo. São três unidades: Asa Sul, Ceilândia e Gama, cada uma responsável por um conjunto de regiões administrativas, incluindo cidades do Entorno goiano. As três abrem de segunda a sexta, das 7h às 19h, e aos sábados das 7h às 12h. As senhas param antes: 18h nos dias úteis e 11h no sábado.
Quem ainda não tem cadastro liga para o call center da Secretaria de Saúde, no 160, opção 3, ou no 0800 644 0160 para ligações de fora do DF. O atendente marca dia e hora na farmácia mais próxima da residência. Também dá para abrir o pedido pelo portal ceafdigital.saude.df.gov.br, mas a documentação original continua obrigatória na hora de retirar o remédio.
Duas informações precisam estar na mão antes de qualquer ligação: o nome do princípio ativo, e não a marca, e o CID da condição clínica. A receita tem de vir com o princípio ativo escrito, ocrelizumabe no caso do Ocrevus, porque é assim que o SUS fornece.
Anote também uma data. As três farmácias do componente especializado ficam fechadas nos dias 9 e 10 de novembro para o inventário anual de medicamentos, e voltam a atender em 11 de novembro no horário normal. Quem tem retirada marcada para esse intervalo precisa se antecipar.
Onde denunciar se você recebeu um lote proibido
A notificação de problema com medicamento é feita no e-Notivisa, pelo portal de serviços do governo federal, em gov.br/pt-br/servicos. Suspeita de reação adversa a medicamento vai para o VigiMed, sistema específico da Anvisa para farmacovigilância. Denúncia de venda irregular no DF também cabe à Ouvidoria da Secretaria de Saúde, pelo 162.
Se você já aplicou uma dose de um dos lotes, o caminho é procurar o serviço que fez a infusão e comunicar o médico que acompanha o tratamento. A resolução da Anvisa não fala em suspender o tratamento com ocrelizumabe, e sim em tirar de circulação dois lotes específicos. Interromper terapia de esclerose múltipla por conta própria tem risco próprio.
O Daqui de Brasília já mostrou como a Anvisa tira do mercado produtos usados em hospitais e o que a Vigilância Sanitária do DF faz quando um estabelecimento aplica injetável sem licença. A conferência do lote e da licença de quem vende é a parte que fica com o consumidor.