Túmulo do ditador Stroessner segue sem identificação em Brasília
Sepultado no Campo da Esperança, na Asa Sul, o ex-presidente do Paraguai completa 20 anos de enterro no dia 17 sem lápide nem placa no jazigo
O túmulo do ex-ditador paraguaio Alfredo Stroessner, sepultado no cemitério Campo da Esperança, na Asa Sul, continua sem qualquer identificação. Quem passa pelo local não encontra lápide, placa ou inscrição que indique quem está enterrado ali. O sepultamento completa 20 anos no próximo dia 17 de agosto.
A situação foi verificada em reportagem publicada no dia 7 pelo Metrópoles. Procurada pelo veículo, a Campo da Esperança Serviços, empresa que administra o cemitério, afirmou suspeitar que a retirada da identificação partiu dos próprios familiares. A hipótese apresentada pela administração é que a medida buscaria dificultar a localização do jazigo e evitar atos de vandalismo e de retaliação.
A administradora também informou que não há registro de furto da plaqueta de identificação de Stroessner. A reportagem não traz manifestação de familiares do ex-presidente sobre a ausência da placa.
Como o ditador foi parar em Brasília
Stroessner governou o Paraguai de 1954 a 1989. Foi deposto em fevereiro de 1989, em um golpe militar conduzido pelo general Andrés Rodríguez, e deixou o país em seguida.
Foram 35 anos à frente do país, contados de 1954 a 1989. O tempo que passou em Brasília depois disso, 17 anos, equivale a quase metade do período em que governou o Paraguai.
O Brasil concedeu asilo político ao ex-presidente. Ele se instalou no Lago Sul, onde viveu os 17 anos seguintes, com pouca exposição pública e sem retornar ao Paraguai. Morreu aos 93 anos, em um hospital particular de Brasília, após complicações de um procedimento cirúrgico, e foi enterrado no Campo da Esperança em 17 de agosto de 2006.
O que a exumação de 2021 revelou
O jazigo voltou ao noticiário em 2021, quando o corpo foi exumado por determinação judicial para a realização de exame de DNA. O teste confirmou a paternidade biológica de Enrique Alfredo Fleitas, com probabilidade de 99,99999998%. Da exumação foram retirados o crânio, a mandíbula com dois dentes e os dois úmeros.
O Campo da Esperança da Asa Sul concentra sepulturas rasas, no padrão de jardim, com lanternas e placas no nível do solo. O modelo facilita a manutenção do gramado e também ajuda a explicar por que a ausência de uma única identificação passa despercebida por quem circula pelo cemitério.
A administração do cemitério não divulga a localização exata do jazigo. Nas duas décadas desde o enterro, o local nunca recebeu marcação oficial, monumento ou qualquer sinalização que o distinga das sepulturas vizinhas.