R$ 508,5 milhões do crédito aprovado na CLDF vão para o ônibus
Distritais liberaram R$ 636,1 milhões ao GDF em 15 de setembro; a maior fatia banca o transporte público coletivo
A Câmara Legislativa do Distrito Federal aprovou em 15 de setembro um crédito suplementar de R$ 636.141.335 para o GDF, e a maior parte tem destino definido: R$ 508,5 milhões vão para o transporte público coletivo. O texto é o Projeto de Lei nº 2.453/2026.
Na prática, quase oito de cada dez reais aprovados ficam no sistema que move quem pega ônibus todo dia no Distrito Federal.
Para onde vai o dinheiro
- Transporte público coletivo: R$ 508,5 milhões
- Detran-DF: R$ 61,8 milhões
- Novacap: R$ 36,4 milhões
- Codhab-DF: R$ 12,2 milhões
- Metrô-DF: R$ 8,5 milhões
- UnDF: R$ 6,6 milhões
- DER-DF: R$ 2,1 milhões
O dinheiro não é novo no orçamento. Vem de excesso de arrecadação, cessão de direitos creditórios da dívida ativa, alienação de imóveis, receitas diretamente arrecadadas, multas de trânsito e anulação parcial de dotações já previstas. A matéria recebeu 69 emendas antes de ser aprovada.
Crédito suplementar é o reforço de uma despesa que já existe na Lei Orçamentária do ano. Não cria programa novo: amplia o limite de um gasto já autorizado, e por isso precisa apontar de onde sai o dinheiro, item por item. Foi o que o projeto fez ao listar seis fontes de recurso.
Como o valor entra em despesa já prevista, o efeito é de caixa e imediato: o órgão passa a poder empenhar e pagar o que estava travado no limite anterior.
O que muda para quem circula
O crédito para o transporte coletivo serve para manter o sistema rodando, não para ampliar linha ou frota. É o repasse que cobre a diferença entre o que a tarifa arrecada e o custo contratado das empresas que operam as linhas do Distrito Federal.
Houve divergência no plenário sobre o uso do valor. O distrital Max Maciel (PSOL) afirmou que o recurso não se destina à folha de pagamento dos rodoviários: "Se alguém aqui disse para os rodoviários que esse dinheiro é para pagar a folha de pagamento, está mentindo". O distrital Pepa (PP) defendeu o envio dos créditos pelo governo como forma de evitar a paralisação do sistema rodoviário.
Os R$ 8,5 milhões do Metrô-DF e os R$ 2,1 milhões do DER-DF completam a fatia de mobilidade. Novacap e Codhab respondem por obras e habitação, e o Detran concentra a maior parcela fora do transporte coletivo.
Para quem depende do ônibus no dia a dia, o efeito prático da aprovação é a continuidade da operação contratada. Serviços do sistema, como o cartão gratuito de transporte para pessoa com deficiência, seguem valendo pelas regras já em vigor.