Alvo da Operação Narciso tinha cobertura e R$ 1 milhão em carros
PCDF aponta biomédico como intermediário de laboratórios clandestinos de anabolizantes; investigação bloqueou R$ 32 milhões
Um dos investigados na Operação Narciso, deflagrada pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) na quarta-feira, 12 de agosto, morava em uma cobertura em Vicente Pires e tinha dois carros que somam mais de R$ 1 milhão. O levantamento patrimonial foi divulgado pelo Metrópoles.
O investigado é o biomédico Eduardo Vieira Euzébio, apontado pela investigação como intermediário entre laboratórios clandestinos e clientes que compravam anabolizantes e medicamentos sem registro no Distrito Federal.
Entre os bens localizados estão uma Range Rover Velar e um BMW 320i. Ele também mantinha uma clínica na Asa Norte, onde, segundo a apuração, oferecia o serviço de aplicação das substâncias além de vendê-las.
O que a PCDF apurou
A investigação é conduzida pela Divisão de Defesa do Consumidor da PCDF. Segundo a corporação, o grupo comprava lotes de medicamentos e esteroides de laboratórios sem licença e revendia a uma clientela formada principalmente por mulheres.
"Os alvos de hoje são verdadeiros traficantes", afirmou o delegado Rodrigo Carbone no dia da operação.
Os números da Narciso, divulgados pela PCDF:
- 43 mandados de prisão expedidos;
- 64 mandados de busca e apreensão;
- R$ 32 milhões em ativos bloqueados;
- ramificações identificadas em oito estados.
A defesa do biomédico não se manifestou publicamente até a publicação desta reportagem. Ele é investigado e não há condenação no caso.
Segundo o Metrópoles, o investigado não apenas negociava os produtos como os indicava a pacientes e ministrava cursos na área, o que ampliava o alcance da oferta. Nas redes sociais, ele exibia rotina intensa de atendimentos e publicava conteúdo sobre estética.
A ação foi cumprida em endereços do Distrito Federal e de outros estados no mesmo dia, e a PCDF divulgou o balanço na quarta-feira. O material apreendido segue sob análise.
Por que o tema volta ao noticiário do DF
A venda de anabolizantes fora do circuito legal circula por academias e redes sociais e chega ao consumidor sem receita, sem rastreabilidade de lote e sem controle de armazenamento. Produto de laboratório clandestino não passa por inspeção da Anvisa, o que significa que dose, pureza e composição não têm garantia.
Em julho, a PCDF já havia cumprido 32 mandados de busca e 11 de prisão contra outro grupo suspeito de vender anabolizantes e medicamentos controlados, com foco em Ceilândia e Samambaia. As duas frentes tratam de esquemas distintos.
Quem quiser denunciar venda irregular de medicamento no Distrito Federal pode acionar a PCDF pelo 197 ou pela Delegacia Eletrônica. A Vigilância Sanitária do DF também recebe relatos sobre estabelecimentos que aplicam substâncias sem autorização.