Segurança

Empresário apontado como fornecedor no Paraguai escapa de cerco da PCDF

Jorge Luiz Roa era alvo central da Operação Narciso, que bloqueou R$ 32 milhões e cumpriu 64 mandados de busca em oito estados e no DF

O empresário apontado pela Polícia Civil do DF como fornecedor paraguaio da maior rede de anabolizantes clandestinos desarticulada pela Operação Narciso escapou do cerco policial na tríplice fronteira e está foragido, segundo reportagem do Metrópoles publicada nesta sexta-feira, 14 de agosto.

Trata-se de Jorge Luiz Roa, dono da loja de produtos farmacêuticos Jack Center, no Paraguai. Ele era um dos alvos centrais da operação deflagrada pela PCDF na quarta-feira, 12 de agosto, e não foi localizado no cumprimento dos mandados.

A investigação, conduzida pelo delegado Rodrigo Carbone, aponta Roa como sócio clandestino de Elisangela Pereira Acosta, indicada como a principal fornecedora de medicamentos e insumos para a produção de anabolizantes em laboratórios ilegais espalhados pelo Brasil. Elisangela foi presa.

Como os insumos entravam no país

Segundo a PCDF, a dupla escondia as substâncias e os insumos dentro de peças mecânicas de motocicletas para driblar a fiscalização na fronteira. O material abastecia laboratórios clandestinos que produziam e vendiam os produtos como se fossem de uso farmacêutico regular.

Os números da Operação Narciso, segundo a corporação:

  • 43 mandados de prisão expedidos pela Justiça.
  • 64 mandados de busca e apreensão cumpridos.
  • R$ 32 milhões em ativos financeiros bloqueados.
  • Mais de 20 estabelecimentos comerciais lacrados.
  • 10 veículos de luxo apreendidos.
  • Mais de 30 sites de venda ilegal derrubados.
  • 8 estados e o Distrito Federal alcançados pela ação.

Por que isso interessa a quem mora em Brasília

A operação nasceu no DF e é tocada por delegacia da PCDF. Parte da rede atendia academias e clientes da capital: entre os presos na quarta-feira está um biomédico que morava em cobertura em Vicente Pires e tinha carros de luxo, e a venda chegava ao consumidor final pela internet e por indicação em academias.

O produto vendido nesse circuito não tem controle de origem, de dosagem nem de composição. É esse o risco prático para quem compra: o frasco pode conter substância diferente da anunciada, em concentração desconhecida, sem qualquer rastreabilidade sanitária.

A Anvisa mantém canal de denúncia para venda irregular de medicamentos, e a PCDF recebe denúncias pelo 197. Produtos anabolizantes são de venda controlada no Brasil e exigem prescrição médica com retenção de receita.

Roa segue foragido e a apuração continua. Os outros dois nomes citados na reportagem, Elisangela e o biomédico, já estão presos.

Leia também: Operação Narciso: biomédico preso tinha cobertura em Vicente Pires e carros de luxo.

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