Escorpião no DF: 2.817 acidentes até agosto e o que fazer ao encontrar um em casa
Agentes de saúde recolhem os animais e orientam moradores; entulho e barata são o que atrai o aracnídeo
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Os escorpiões provocaram 2.817 acidentes no Distrito Federal entre janeiro e agosto, 38 deles graves. Agentes de saúde do GDF percorrem casas, lojas e prédios públicos todos os dias para recolher os animais e orientar moradores.
- 2.817 acidentes notificados no DF de janeiro a agosto de 2026; 38 foram graves.
- Encontrou um escorpião? Não toque com a mão. Ligue 160 ou 162.
- O que atrai o aracnídeo é barata, entulho, caixa de esgoto e material de construção empilhado.
- Estrutural, São Sebastião e Planaltina concentram os registros.
- Em caso de picada: lavar com água e sabão, manter o membro elevado e procurar atendimento.
Por que o escorpião vive perto de casa
A explicação não é o mato, é o lixo. "Os escorpiões gostam de viver perto da gente porque oferecemos as condições para isso", diz o biólogo Israel Moreira, que acompanha as equipes de vigilância ambiental do Distrito Federal.
Caixa de esgoto, entulho, resto de material de construção e objeto amontoado são os abrigos preferidos. O animal passa o dia escondido e sai à noite para caçar. O cardápio principal é a barata, o que explica por que quintal sujo e obra parada viram foco.
Por isso a orientação oficial é atacar a presa, não o predador. A desinsetização serve para reduzir barata, e não para matar escorpião. "Existem pesticidas que matam o escorpião, mas não se sabe ainda se o uso dessas substâncias é seguro. Isso porque, muitas vezes, são produtos que acabam estimulando o deslocamento dos escorpiões e, assim, facilitando a ocorrência de acidentes", explica Moreira.

Quantos acidentes o DF já registrou
O número de 2026 corre acima do ano passado. Até 13 de junho, a Secretaria de Saúde tinha 1.974 notificações, contra 1.855 no mesmo intervalo de 2025. Em agosto, o acumulado chegou a 2.817. O ano de 2025 fechou com 4.640 acidentes.
A conta que sai da comparação entre os dois boletins é a de que o DF somou cerca de 840 novos acidentes em dois meses e meio, entre meados de junho e o fim de agosto, e passou de 32 para 38 casos graves no mesmo intervalo.
Gravidade tem classificação clínica. O caso leve dá dor no local e costuma ser resolvido na unidade básica. O moderado pede em torno de três ampolas de soro. O grave pode exigir até seis ampolas e vem com vômito, suor intenso e confusão mental. Até junho, os casos graves eram 1,6% do total notificado.
O menino de 4 anos picado por um escorpião dentro de uma escola do Lago Norte, em julho, é o tipo de ocorrência que entra nessa estatística: ambiente urbano, horário comercial, nenhum mato por perto.
Encontrei um escorpião. E agora?
A primeira regra é não encostar. O escorpião não ataca por iniciativa, mas fica perigoso quando se sente ameaçado, e o dedo que levanta uma tábua costuma chegar antes do olho.
Se a pessoa se sentir segura, deve capturar o animal com um recipiente adequado, sem tocar com as mãos, fechar a tampa e ligar para o 160 ou para o 162. Levar o bicho vivo tem uma razão prática: "Recolher o escorpião é importante porque, dessa forma, saberemos qual espécie está infestando a casa da pessoa", afirma o biólogo.
Quem não se sentir seguro não deve improvisar. A ligação para os mesmos canais aciona a equipe, que faz a captura.

O que a equipe faz na visita técnica
A vistoria tem roteiro. Os agentes levantam tampa de caixa de esgoto e de caixa de gordura, revistam concentração de folhas, olham cada canto de quintal e usam até espelho para enxergar a borda interna das caixas, onde o aracnídeo se esconde fora do alcance da vista.
A visita termina com orientação ao morador sobre o que precisa ser retirado do terreno. É a parte da ação que depende de quem mora ali: enquanto o entulho continuar no fundo do lote, a equipe volta ao mesmo endereço.
Para quem ligar em cada situação
| Situação | Canal | O que acontece |
|---|---|---|
| Escorpião vivo em casa, capturado ou não | 160 ou 162 | Aciona a vigilância ambiental para recolher o animal e identificar a espécie |
| Pessoa picada com dor forte, vômito ou suor intenso | 192 (Samu) | Atendimento de urgência e transporte |
| Resgate e ocorrência com risco imediato | 193 (CBMDF) | Atendimento do Corpo de Bombeiros |
| Picada sem sintoma grave | Unidade básica de saúde mais próxima | Avaliação e observação; casos leves são a maioria |
| Terreno baldio com entulho na vizinhança | 162 | Registro de denúncia para fiscalização |
O 162 é o mesmo canal usado para denunciar estabelecimento sem licença sanitária no DF, e vale tanto para casa quanto para comércio.
O que fazer depois da picada
A orientação da Secretaria de Saúde é objetiva: lavar o local com água e sabão, manter o membro atingido elevado e procurar atendimento médico. A dor local é o sintoma mais comum e costuma aparecer logo depois da picada.
Levar o animal, quando ele foi capturado, ajuda a equipe médica a decidir sobre o soro. A maior parte dos casos no DF é leve e não chega a precisar de soro antiescorpiônico.
Como reduzir o risco no seu lote
- Tirar entulho, restos de obra e pilha de objetos do quintal e da área de serviço.
- Vedar ralos e caixas de esgoto com tela ou tampa que feche de verdade.
- Manter grama baixa e afastar vasos e lenha das paredes da casa.
- Sacudir calçado, roupa e toalha antes de usar, sobretudo no fim da noite e no começo da manhã.
- Combater barata: menos alimento no terreno significa menos escorpião.
O que vem pela frente
A estação joga contra. A primavera começa nesta terça-feira (22) e traz de volta calor com umidade, a combinação que aumenta a circulação dos escorpiões e, com ela, o número de acidentes. O ano passado mostrou o desenho: dos 4.640 acidentes de 2025, 1.855 aconteceram até 13 de junho. Os outros 2.785, quase 60% do total, vieram na segunda metade do ano, justamente quando a chuva volta.
Quem mora em área com histórico de ocorrência pode antecipar a limpeza do lote antes das primeiras chuvas fortes, que empurram o animal do esgoto para dentro de casa. A nota com as orientações da campanha está publicada na Agência Brasília, canal oficial do GDF.