Mpox: DF recebe 100 doses da vacina após ficar sem estoque; veja quem pode tomar
Remessa do Ministério da Saúde chega com o DF em 23 casos em 2026, oito só em outubro; local de aplicação ainda não foi divulgado
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O Ministério da Saúde enviou 100 doses da vacina contra mpox ao Distrito Federal nesta sexta-feira (6). O pedido partiu da Secretaria de Saúde do DF (SES-DF) na quinta (5), dois dias depois de a própria pasta distrital avisar, em memorando circular, que a vacinação estava suspensa por falta de doses em estoque.
A remessa chega depois de um outubro com oito casos confirmados no DF. No ano, são 23, segundo a SES-DF. Desde 2022, quando a doença começou a se espalhar pelo mundo, a capital soma 425 casos confirmados.
Quem pode tomar a vacina
A vacina não é para a população em geral. Seguindo a orientação da Organização Mundial da Saúde (OMS) de priorizar quem tem maior risco de evolução grave, o Ministério da Saúde indica o imunizante para três grupos:
- pessoas vivendo com HIV/aids, dentro de critérios de imunossupressão definidos pelo ministério;
- usuários de profilaxia pré-exposição ao HIV (PrEP);
- profissionais de laboratório que manipulam amostras de mpox.
Também pode ser vacinado, depois de avaliação da vigilância, quem teve contato de risco com um caso suspeito ou confirmado.
O que a nota do ministério e a divulgação da SES-DF não informam é onde as 100 doses serão aplicadas, como agendar e quantas pessoas do DF já foram vacinadas neste ano. Na primeira remessa, em 2023, a Rede de Frio da SES-DF disse ao Jornal de Brasília que a vacina não seria oferecida em massa nas unidades básicas de saúde: a estratégia era a busca ativa do público indicado, com aplicação nos locais onde os pacientes já fazem acompanhamento. A secretaria não confirmou se o modelo se repete agora.
O que está por trás da falta
Na quarta-feira (4), o Centro Brasiliense de Defesa dos Direitos Humanos (CentroDH) e o grupo Estruturação, de Brasília, acionaram a SES-DF e o Ministério Público do DF e Territórios para cobrar a retomada da vacinação. As entidades pediram dados sobre quando o estoque acabou e quantas doses foram aplicadas. No documento, afirmaram que o pedido de apuração não significa apontar irregularidade da gestão distrital. Na ocasião, a SES-DF não respondeu às perguntas do Brasil de Fato.
No plano nacional, o Ministério da Saúde pediu na quarta (4) a compra de até 20 mil doses pelo Fundo Rotatório da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). Até 5 de novembro, o Brasil registrava 835 casos de mpox em 2026, 23 deles no DF. Em relação a 2022, a queda é de 92,3% no país e de 92,5% no DF, que teve 308 casos naquele ano.
Sinais e cuidados
O principal sinal de alerta é o aparecimento repentino de lesões nas mucosas ou de erupções na pele, como bolhas, em qualquer parte do corpo. A diretora de Vigilância Epidemiológica da SES-DF, Juliane Maria Malta, orienta procurar uma unidade de saúde para avaliação diante desse quadro.
Para reduzir o risco de transmissão, a secretaria recomenda:
- evitar contato físico próximo ou íntimo com quem tenha lesões suspeitas;
- lavar as mãos com frequência, com água e sabão;
- não dividir toalha, roupa e roupa de cama;
- em caso de suspeita ou confirmação, evitar contato com outras pessoas pelo período de isolamento indicado pelos profissionais de saúde.
Quem se enquadra em um dos grupos e quer saber como receber a dose deve procurar o serviço de saúde onde faz acompanhamento, que é quem faz a avaliação. A SES-DF ainda não publicou o fluxo de aplicação das 100 doses.
Fontes: nota do Ministério da Saúde reproduzida pelo Correio Braziliense (6/11), Brasil de Fato DF (4/11) e Jornal de Brasília.