Política

Brasília em 24 horas: duas convenções, dois endereços e uma chapa que ficou pela metade

O CICB recebeu neste sábado o lançamento de Arruda, que saiu sem vice definido. Neste domingo, às 9h, o Ulysses Guimarães homologa Celina Leão e Gustavo Rocha

Poucas vezes o calendário político de Brasília se concentrou tanto num fim de semana. Em menos de 24 horas, a cidade recebe as duas convenções mais aguardadas da temporada, em dois dos endereços mais nobres da capital — e com resultados bem diferentes em matéria de arranjo político.

No sábado (1º/8), o Centro Internacional de Convenções do Brasil, na Asa Sul, recebeu o ato do PSD e do Avante que lançou José Roberto Arruda ao Governo do Distrito Federal. Neste domingo (2/8), às 9h, é a vez do Centro de Convenções Ulysses Guimarães, no Eixo Monumental, onde a federação União Progressista homologa a candidatura da governadora Celina Leão à reeleição.

No CICB, o retorno depois de 16 anos

O ato do sábado marcou a volta de Arruda a uma disputa eleitoral após 16 anos fora das urnas, sob o tema "Resgate do DF". A convenção teve presença do candidato do PSD à Presidência, Ronaldo Caiado, e do presidente nacional do partido e candidato a vice na chapa dele, Gilberto Kassab — o que transformou o encontro também na montagem do palanque presidencial da legenda na capital.

Mas a convenção terminou sem a definição que a cidade política esperava: a vaga de vice ficou em aberto. O próprio Arruda explicou a escolha:

"Deixaremos as atas em aberto porque, na política, quem tem tempo não tem pressa."

Continuam no páreo o ex-senador Gim Argello, presidente do Avante-DF, e seu filho Jorge Argello. Nas semanas anteriores, o ex-governador também convidou o Podemos a indicar Luiz França e chegou a sugerir o ex-deputado Ronaldo Fonseca.

A vaga ao Senado segue no mesmo limbo. Arruda e Caiado anunciaram Paulo Octávio para a disputa em 29 de julho, mas o empresário — presidente do PSD no DF e ex-vice-governador na gestão de Arruda — negou ao Correio Braziliense ter confirmado a pré-candidatura.

O que Arruda falou de gestão

No discurso, o ex-governador abordou transporte e o Banco de Brasília. Sobre o primeiro, defendeu abertura ao investimento privado:

"Certamente, vamos precisar de capital privado. Eu não falo em privatização, mas estou aberto às parcerias público-privadas."

Sobre o BRB, ponderou:

"O único porém é que estou falando tudo isso sem que eu ou vocês conheçam o real tamanho do buraco."

A pendência que atravessa a campanha

Arruda segue inelegível. O TJDFT negou, em decisão publicada em 20 de fevereiro, o agravo interno do ex-governador, mantendo a condenação por improbidade administrativa — 12 anos de suspensão dos direitos políticos, R$ 1 milhão em dano moral coletivo e mais de R$ 1,4 milhão entre multa cível e reparação.

A saída jurídica que a defesa persegue é a Lei Complementar 219/2025, sob julgamento no STF em ação da Rede Sustentabilidade. A análise está suspensa desde 28 de maio por pedido de vista de Gilmar Mendes, com placar de 2 a 0 pela inconstitucionalidade — votos da relatora Cármen Lúcia e de Luiz Fux. O voto de Gilmar é esperado até 26 de agosto, praticamente sobre o prazo de registro de candidaturas.

No Ulysses Guimarães, chapa fechada e caravanas

A convenção de domingo tem desenho diferente. A federação União Progressista — formada por Progressistas (PP) e União Brasil — homologa de uma vez Celina Leão (PP) ao Governo do DF e Gustavo Rocha (Republicanos) a vice-governador. É a diferença mais concreta entre os dois atos: a majoritária da federação sobe ao palanque completa.

Ao convocar os apoiadores, a governadora usou o mote da mobilização: "O rugido da Leoa vai ecoar por todo o DF".

A organização trabalha com expectativa de caravanas vindas das regiões administrativas, além de parlamentares e pré-candidatos das duas legendas. Na nominata conjunta aparecem Pepa, Eduardo Pedrosa, Pastor Daniel de Castro, Valdelino Barcelos e Cláudio Abrantes — nomes com bases eleitorais em regiões distintas. A federação projeta eleger até quatro deputados com a lista unificada; a estimativa é da própria legenda e ainda não passou pelo teste da urna.

O retrato das pesquisas

O levantamento mais recente é do Paraná Pesquisas, realizado entre 17 e 19 de julho, com 1.500 entrevistas no DF, margem de erro de 2,6 pontos percentuais e 95% de confiança — registro TSE DF-01326/2026.

No primeiro turno estimulado, Celina Leão (PP) tem 34,6% e José Roberto Arruda, 28,1% — diferença de 6,5 pontos, acima da margem. Sem Arruda no cenário, a governadora sobe a 45,9%. Na espontânea, ela marca 12,3% e ele, 7,4%. A aprovação do governo aparece em 58,3%, contra 37,6% de desaprovação.

Pesquisa do Exata OP (registro DF-02994/2026) traz quadro parecido. Os dois institutos apontam cenário de possível segundo turno entre os dois nomes.

Dois endereços, duas leituras

A comparação entre os espaços diz algo sobre o desenho de cada ato. O CICB, na Asa Sul, é o palco de congressos e solenidades institucionais. O Ulysses Guimarães, no Eixo Monumental, é o maior centro de convenções da cidade e comporta público em outra escala.

Para as legendas, convenção não é só formalidade jurídica: é o momento de mostrar quantas pernas se tem para caminhar até outubro — quantos candidatos se consegue lançar, quantas regiões administrativas se consegue mobilizar e quanta gente aparece quando o palanque é montado.

As convenções partidárias no Distrito Federal seguem até 5 de agosto.


Serviço Convenção União Progressista (PP + União Brasil) Domingo, 2 de agosto, às 9h Centro de Convenções Ulysses Guimarães — Eixo Monumental

Com informações do Metrópoles, do Correio Braziliense, do Jornal de Brasília, do O Hoje e do Diário do Poder.

Foto de capa: reprodução.

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