Painel Sete Marias, contra o feminicídio, é instalado no STF
Obra doada pelo pintor Antonio Veronese ocupa o Hall dos Bustos e foi inaugurada no dia em que a Lei Maria da Penha completou 20 anos
O Supremo Tribunal Federal passou a abrigar, na quinta-feira (6), o painel Sete Marias, doado pelo pintor brasileiro Antonio Veronese. A obra foi instalada no Hall dos Bustos, no edifício-sede da Corte, na Praça dos Três Poderes, e passa a integrar o acervo do tribunal. O painel é um manifesto contra o feminicídio e a violência de gênero.
A cerimônia aconteceu no dia em que a Lei Maria da Penha completou 20 anos. "Hoje, quando se completam 20 anos da Lei Maria da Penha, para minha honra, o painel Sete Marias é instalado no Supremo Tribunal Federal", disse o artista.
O presidente do STF, ministro Edson Fachin, destacou o significado simbólico da obra, "que carrega vida, dor, tragédia e esperança". Segundo ele, "a partir deste momento, ela passa a integrar a memória, a paisagem e o patrimônio simbólico do Supremo Tribunal Federal".
"Esse painel é exatamente a demonstração da violência que se vem praticando, a denúncia de um feminicídio que não para", afirmou a ministra Cármen Lúcia, para quem a obra funciona como instrumento de conscientização e defesa dos direitos das mulheres.
Também participaram da cerimônia os ministros Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Nunes Marques e André Mendonça, além do ministro aposentado Marco Aurélio. O ex-ministro Carlos Ayres Britto declamou uma poesia sobre o tema.
Quem é o artista
Antonio Veronese é conhecido por pinturas centradas em rostos e nus femininos, com obras marcadas pela carga simbólica e pela discussão de questões sociais. Seu trabalho já foi exposto na sede da ONU, em Nova York, e no Museu Ítalo-Americano e no Instituto Italiano de Cultura, em São Francisco, nos Estados Unidos.
A proposta do painel, segundo o artista, não é retratar mulheres vencidas pela violência, e sim figuras que preservam a dignidade. A escolha do lugar reforça a intenção: o Hall dos Bustos é o corredor onde ficam as esculturas dos ex-presidentes do tribunal e é parada obrigatória de quem faz o passeio guiado pelo prédio.
Como visitar
O tribunal mantém o programa STF de Portas Abertas, com visitas gratuitas ao edifício-sede e ao anexo I. O roteiro inclui o Hall dos Bustos, o Plenário, o Salão Nobre, o Salão Branco, o museu e o espaço cultural da Corte.
- Onde: edifício-sede do STF, Praça dos Três Poderes
- Fins de semana e feriados: sem necessidade de agendamento. O visitante se dirige à portaria pela Praça dos Três Poderes e aguarda a formação do grupo
- Dias úteis: a visita depende de agendamento prévio pelo portal do tribunal
- Dados exigidos: nome completo, RG, CPF, e-mail e telefone. No fim de semana, as informações são fornecidas na portaria
- Preço: gratuito
Os horários das saídas de grupo mudam conforme o calendário do tribunal e a agenda de sessões. Vale conferir o cronograma atualizado no portal do STF antes de sair de casa, principalmente em semanas de julgamento no Plenário, quando parte dos ambientes do roteiro fica indisponível ao público.
Para o circuito de arte pública de Brasília, o painel soma mais um endereço a um conjunto que já é atração por conta própria. A Praça dos Três Poderes concentra obras de Bruno Giorgi, Alfredo Ceschiatti e Marianne Peretti, e o interior dos prédios oficiais guarda um acervo que quase nunca entra nos roteiros turísticos convencionais da cidade.