Lavagem nasal alivia os efeitos do tempo seco; veja o que fazer
Com umidade do ar abaixo dos 30% recomendados pela OMS, a Secretaria de Saúde orienta higiene nasal com soro fisiológico e alerta contra soluções caseiras
Brasília atravessa o trecho mais seco do ano e a higiene nasal virou orientação de rotina da Secretaria de Saúde do Distrito Federal. Feita com soro fisiológico, ela ajuda a remover partículas, secreções e crostas e a manter a mucosa do nariz hidratada.
A mucosa é a primeira barreira do corpo contra poeira e agentes infecciosos. Quando o ar seca, ela resseca junto, perde eficiência e abre caminho para sangramento, irritação e crise de rinite. É por isso que o desconforto nasal aparece antes de qualquer outro sintoma no período da estiagem.
O que a umidade está marcando no DF
O Instituto Nacional de Meteorologia publicou aviso válido para 12 de agosto, entre 12h e 18h, com umidade relativa do ar variando entre 30% e 20% na região. No dia 10, a estação da Ponte Alta, no Gama, registrou 13%. A Organização Mundial da Saúde considera 60% o índice ideal.
O que evitar
- Colocar no nariz produtos que não foram formulados para uso nasal, como óleos, pomadas e água oxigenada;
- Improvisar soluções caseiras no lugar do soro fisiológico;
- Usar descongestionante vasoconstritor por período prolongado, prática que provoca efeito rebote e piora a obstrução.
O alerta é do otorrinolaringologista João Henrique Zanotelli dos Santos, preceptor da residência médica de Otorrinolaringologia do Hospital de Base. A frequência da lavagem e o volume adequado variam conforme o caso e devem ser orientados por profissional de saúde.
O que ajuda além do nariz
- Beber cerca de 2 litros de líquidos por dia;
- Deixar exercícios ao ar livre para o início da manhã ou o fim da tarde, quando a umidade sobe e a temperatura cai;
- Procurar a Unidade Básica de Saúde quando o sintoma persistir;
- Ir à UPA em caso de urgência respiratória, como falta de ar.
Crianças pequenas, idosos e pessoas com asma ou rinite sentem primeiro. Nesses grupos, a irritação nasal costuma evoluir rápido para tosse noturna e dificuldade para dormir, e a lavagem regular reduz esse ciclo.
Por que a lavagem funciona
O nariz filtra o ar antes de ele chegar ao pulmão. Esse trabalho depende de uma camada de muco e de cílios microscópicos que empurram a sujeira para fora. Com o ar seco, o muco engrossa, os cílios perdem mobilidade e a poeira acumulada fica parada onde deveria ser eliminada.
A solução salina devolve fluidez a essa camada. Não é medicamento nem trata infecção: ela apenas restaura a condição em que o nariz consegue se limpar sozinho. É por isso que a orientação vale para quem não está doente, como medida de rotina no período da estiagem, e não apenas para quem já tem sintoma.
Em Brasília, o efeito é amplificado pela poeira. A cidade combina umidade baixa com solo exposto em obras e áreas de cerrado queimado, o que aumenta a carga de partículas em suspensão. Sangramento nasal leve, garganta arranhando ao acordar e olho seco são as queixas que mais crescem nos postos de saúde nesta época.
Sinais de que é hora de procurar atendimento
- Sangramento nasal que não estanca após dez minutos de compressão;
- Febre associada a secreção amarelada ou esverdeada por mais de três dias;
- Dor de cabeça intensa na região da testa ou dos olhos;
- Falta de ar, chiado no peito ou piora de crise asmática.
O Daqui de Brasília acompanha os efeitos da estiagem na cidade. O Inmet já havia colocado o DF em alerta amarelo para baixa umidade neste mês.