Grass promete delegacias da mulher em mais regiões e casas de abrigo
Candidato ao GDF citou o feminicídio como principal questão do DF em sabatina da CNN nesta quarta
O candidato ao Governo do Distrito Federal Leandro Grass (PT) afirmou nesta quarta-feira (19) que pretende abrir delegacias de apoio à mulher em outras regiões administrativas e criar casas de abrigo para vítimas de violência doméstica. A declaração foi dada em sabatina da CNN, em Brasília.
"O feminicídio é a nossa principal questão aqui no DF, problema que nos últimos anos aumentou substancialmente", disse o candidato. Ele afirmou ainda que pretende "construir um DF delas", em referência à prioridade que daria a políticas voltadas às mulheres.
Grass criticou a concentração do atendimento especializado. Hoje, o DF tem duas Delegacias Especiais de Atendimento à Mulher (Deams) em funcionamento, uma em Ceilândia e outra na Asa Sul. Regiões como Sobradinho e São Sebastião não contam com unidade própria, e as ocorrências são registradas em delegacias comuns ou encaminhadas às duas especializadas.
As três frentes que ele citou
- Delegacias: abertura de unidades de apoio à mulher em outras regiões administrativas
- Moradia: criação de casas de abrigo para garantir onde morar a quem precisa sair de casa
- Renda: políticas de autonomia e independência financeira para mulheres em situação de violência doméstica
O candidato não detalhou quantas unidades pretende abrir, em quais regiões nem qual seria o custo das medidas. Também não apresentou prazo de implantação. Procurada, a campanha não havia respondido sobre esses pontos até a publicação desta matéria.
Os números oficiais mostram por que o tema entrou na campanha. Segundo a Câmara Técnica de Monitoramento de Homicídios e Feminicídios, ligada à Secretaria de Segurança Pública do DF, foram sete feminicídios e 20 tentativas de assassinato contra mulheres no primeiro trimestre de 2026, contra seis casos no mesmo período de 2025. Cinco das sete vítimas fatais não haviam registrado ocorrência anterior contra o autor do crime.
Em 2025, 28 mulheres foram mortas no DF por razões de gênero, seis a mais que em 2024, quando houve 22 casos, segundo levantamento publicado pelo Metrópoles com base nos dados da secretaria. A taxa local naquele ano ficou em 1,8 morte por 100 mil habitantes, acima da média nacional de 1,43.
O assunto tem aparecido nas sabatinas de outros candidatos ao Buriti. Na semana passada, o tema entrou na sabatina da Record, quando outro concorrente prometeu ampliar o setor de inteligência da Polícia Civil e as rondas da Polícia Militar voltadas a casos de violência doméstica.
Quem já é atendida pela rede do DF tem acompanhamento específico depois da agressão. Veja como funciona o projeto do MPDFT que acompanha mulheres que sobreviveram a tentativas de feminicídio.
Denúncias de violência doméstica podem ser feitas pelo 190, da Polícia Militar, pelo 180, da Central de Atendimento à Mulher, e nas duas Deams do DF. O registro também pode ser feito pela delegacia eletrônica da Polícia Civil, em delegacia.pcdf.df.gov.br, sem necessidade de comparecimento presencial para casos que não sejam de flagrante.