Cidades

Projeto do MPDFT acompanha mulheres que sobreviveram a feminicídio

Amparar atendeu 62 mulheres entre setembro de 2025 e maio de 2026, com apoio jurídico, psicológico e encaminhamento à rede pública

Mulheres que sobreviveram a uma tentativa de feminicídio no Distrito Federal têm acompanhamento próprio desde setembro de 2025. O Projeto Amparar, do Núcleo de Atenção às Vítimas (Nuav) do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios, acompanhou 62 mulheres nessa condição entre setembro do ano passado e maio deste ano, com orientação jurídica, suporte emocional e encaminhamento para a rede pública de saúde e assistência social.

O projeto foi criado para estruturar o que acontece depois do crime, etapa que costuma ficar sem responsável definido. O atendimento é multidisciplinar e alcança tanto a vítima direta quanto familiares de vítimas fatais, além de pessoas atingidas por homicídio, latrocínio e outros crimes graves.

O que o Amparar oferece

O acompanhamento inclui a elaboração do Plano de Atenção à Vítima (PAV), documento que organiza os encaminhamentos de cada caso. Na prática, o plano define o que a mulher precisa resolver primeiro: acesso a tratamento de saúde, situação processual, moradia, renda ou guarda dos filhos.

A coordenação é da promotora de Justiça Thaís Tarquinio Oliveira. O contato pode ser feito por três vias, sem necessidade de encaminhamento prévio de outro órgão.

O Nuav é a unidade do Ministério Público responsável pelo atendimento a vítimas e familiares, com equipe de assistência jurídica e psicossocial. É por meio dele que o Amparar articula os encaminhamentos entre o processo criminal em curso e os serviços de saúde e assistência do Distrito Federal, duas frentes que costumam correr em paralelo sem comunicação.

Os números do DF neste ano

Levantamento do próprio Nuav registra 44 ocorrências confirmadas de tentativa de feminicídio no primeiro semestre de 2026 no Distrito Federal. O perfil traçado pelo órgão mostra onde a violência acontece: em 82% dos casos o agressor era parceiro íntimo da vítima, e 75% das agressões ocorreram dentro da residência. A média de idade das mulheres atendidas é de 34 anos, e 78% delas são pardas.

O dado sobre o local é o que mais pesa na hora de organizar o serviço. Quando a agressão acontece em casa e por quem convive com a vítima, o retorno ao mesmo endereço depois da alta hospitalar vira o problema seguinte, e é ele que o acompanhamento tenta resolver antes que o ciclo se repita.

Serviço

  • Projeto: Amparar, do Núcleo de Atenção às Vítimas do MPDFT
  • Quem pode buscar: mulheres vítimas de tentativa de feminicídio, familiares de vítimas fatais e pessoas atingidas por outros crimes graves
  • WhatsApp: (61) 99635-6929
  • E-mail: amparar@mpdft.mp.br
  • Endereço: Promotoria de Brasília II, SMAS, Trecho 4, lotes 6/8
  • Horário: de segunda a sexta, das 12h às 19h

Em situação de emergência, o acionamento continua sendo pelo 190. A Central de Atendimento à Mulher, no 180, funciona 24 horas e é gratuita.

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