Economia

Limão tahiti fica até 374% mais caro no atacado; veja por que o preço disparou e quando deve cair

O limão tahiti subiu até 374% no atacado por causa das chuvas que afetaram a florada. Veja os preços da Conab e quando deve voltar ao normal.

Neste texto5 tópicos
  1. Quanto subiu o preço no atacado?
  2. Por que o limão ficou tão caro?
  3. Que outros fatores pesaram?
  4. Quando o preço deve voltar ao normal?
  5. E para o consumidor no DF?

O limão está caro mesmo na entressafra, e o motivo está na colheita: o preço pago ao produtor da caixa de 27,2 quilos saltou de R$ 32,10 em junho para R$ 104,78 em agosto, alta de 226,4%. Os dados são da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), para o limão tahiti no cinturão cítrico paulista, de onde sai 80% da produção nacional.

Em agosto, o valor pago ao produtor foi 71% maior do que no mesmo mês de 2025. O pesquisador Renato Garcia Ribeiro, do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq), explica que o limão tem "volatilidade muito alta" nos preços e que o momento atual é "bem precário", por causa de chuvas que afetaram a florada no começo do ano.

Quanto subiu o preço no atacado?

Central de abastecimentoPreço inicialPreço no picoAlta
Ceagesp (capital paulista)R$ 1,82/kg (maio)R$ 8,62/kg (fim de setembro)374%
CeasaMinas (Grande BH)R$ 2,50/kgR$ 8,50/kg240%

Na prática, o quilo no Ceagesp passou a custar quase cinco vezes o valor de maio. Na última semana, os preços na central começaram a diminuir, mas não é possível afirmar que a tendência vai se manter.

Gráfico com o preço do limão tahiti pago ao produtor em junho, julho e agosto
A caixa de 27,2 kg foi de R$ 32,10 para R$ 104,78 em dois mesesGráfico: Daqui de Brasília, com dados da Conab

Por que o limão ficou tão caro?

Segundo a Conab, a safra de limão tem pico em janeiro e fevereiro, queda em março e abril e entressafra de fins de maio a meados de setembro, quando começa a nova colheita. Neste ano, a queda de oferta no início da entressafra foi maior do que a de anos anteriores, porque o excesso de chuva afetou a quantidade e a qualidade das frutas e a formação da safra seguinte.

A umidade maior no começo do ano e o aumento de dias nublados aumentaram a quantidade de frutas mais claras e dificultaram a colheita. A principal florada para compor a oferta do segundo semestre, em julho, também foi atingida por chuvas acima da média nas principais regiões produtoras, Matão e Bebedouro. Essas duas cidades concentram cerca de 68% da área de produção de limões e limas do cinturão, e 88% dos frutos são de limão tahiti.

Que outros fatores pesaram?

A Conab aponta ainda a competição entre mercado interno e externo, já que cerca de 11% da safra é vendida principalmente para a Europa, e o aumento da demanda interna com o calor de agosto e setembro. O excesso de chuva prejudicou também o pegamento de frutos de floradas anteriores, justamente os que deveriam aliviar a escassez em setembro e outubro.

Quando o preço deve voltar ao normal?

A normalização dos preços está prevista para o fim do ano, com a chegada da nova safra. A florada de julho só deve gerar volume relevante de fruta a partir de meados de novembro, segundo a Conab. O pesquisador do Cepea avalia que o maior impacto foi no volume de produção e que a condição climática deve se estender para o próximo ano.

Há ainda um risco para a safra seguinte: especialistas apontam que um El Niño forte no começo de 2027 pode aumentar o calor e o déficit hídrico, estressando as plantas e afetando a florada no fim da primavera e no início do verão. Os técnicos da Conab, porém, consideram que o fenômeno teve pouco impacto na produção deste ano e foi um fator que contribuiu, mas não o principal.

E para o consumidor no DF?

O repasse do preço do atacado ao varejo varia de loja para loja, e quem compra em feiras pode comparar valores. O Daqui de Brasília acompanha as feiras da cidade, como a situação da feira da Torre de TV e a ecofeira de Taguatinga.

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