Saúde

Quem tem 70 anos ou mais pode doar sangue: veja as novas regras do Ministério da Saúde

Nova portaria libera a doação de sangue após os 70 anos para quem é saudável e reduz os prazos para tatuagem, piercing e malária. Veja as regras.

Neste texto5 tópicos
  1. O que mais muda para quem quer doar?
  2. Por que o prazo para áreas de malária caiu?
  3. O que muda nas bolsas e nas plaquetas?
  4. Como está a doação de sangue no país?
  5. Quem pode doar e como começar?

Pessoas com 70 anos ou mais que continuem saudáveis poderão doar sangue em todo o Brasil, segundo o novo regulamento técnico da hemoterapia. A regra está na Portaria GM/MS 11.685/2026, do Ministério da Saúde, publicada em julho e em vigor desde quarta-feira (30).

Para doar, a pessoa precisa ser considerada apta na avaliação clínica feita pelo serviço de hemoterapia e respeitar os intervalos e a frequência de doação definidos para essa faixa etária.

O que mais muda para quem quer doar?

O regulamento também reduz o tempo de espera para quem passou por exames, usou medicamentos ou fez procedimentos estéticos com microagulhamento, como tatuagem, maquiagem definitiva, preenchimentos e aplicação de botox. Nesses casos, a doação poderá ser feita após sete dias, desde que o procedimento tenha sido realizado em local que cumpra as normas de segurança. Quando essa avaliação não for possível, o prazo é de quatro meses.

Para quem colocou piercing na boca ou na região genital, a doação poderá ser feita quatro meses depois da retirada.

SituaçãoPrazo para doar
Tatuagem, maquiagem definitiva, preenchimento ou botox, em local que cumpra as normas7 dias
Mesmos procedimentos, quando a avaliação do local não for possível4 meses
Piercing na boca ou na região genital4 meses após a retirada
Viagem a área endêmica de malária ou exposição em mata, bosque ou floresta30 dias (antes, até 12 meses)
Gráfico comparando o prazo de espera para doar após exposição à malária, antes e depois da nova regra
O prazo para quem esteve em área de malária caiu de até 12 meses para 30 diasGráfico: Daqui de Brasília, com dados do Ministério da Saúde

Por que o prazo para áreas de malária caiu?

O Brasil se tornou o primeiro país a adotar de forma obrigatória o teste de malária em 100% dos exames de triagem, segundo o ministério. O teste NAT Plus, desenvolvido por Bio-Manguinhos/Fiocruz, já era usado para identificar HIV e hepatites B e C e passa a detectar também o parasita causador da malária.

Com isso, o período de impedimento para quem se deslocou para municípios de áreas endêmicas ou teve exposição em regiões de mata, bosque ou floresta passa a ser de 30 dias. Antes, o prazo podia chegar a 12 meses.

O que muda nas bolsas e nas plaquetas?

Foi adotado o padrão internacional ISBT 128 para identificação de bolsas e amostras, o que reforça a rastreabilidade em todas as etapas, da coleta à transfusão ou ao envio do plasma para a produção de medicamentos, e reduz o risco de erros.

O prazo de validade do concentrado de plaquetas pode passar de cinco para sete dias, desde que sejam adotadas as medidas de controle de qualidade exigidas. Segundo o ministério, a mudança reduz perdas de um hemocomponente usado principalmente no atendimento a pessoas com câncer, pacientes em quimioterapia, pessoas com doenças hematológicas e outras condições que exigem transfusões frequentes.

Como está a doação de sangue no país?

Em 2025, o Sistema Único de Saúde registrou 3,26 milhões de coletas de sangue, uma taxa de 15,29 doações por mil habitantes, a maior desde o período da pandemia. Os dados mostram recuperação gradual depois da queda de 2020.

Quem pode doar e como começar?

  • Saúde: estar em boas condições de saúde, descansado e alimentado
  • Peso: pelo menos 50 quilos
  • Documento: apresentar documento oficial com foto, que também pode ser digital
  • Idade: adolescentes a partir de 16 anos podem se candidatar, com autorização do responsável

Os interessados devem procurar o hemocentro mais próximo para consultar os horários e passar pela triagem, etapa em que são avaliadas as condições de saúde e a aptidão para a doação. No Distrito Federal, o Daqui de Brasília já explicou como funciona a doação de órgãos em vida e a idade máxima, e acompanha outras regras de saúde, como o exame genético para câncer hereditário no DF.

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