Vestígios de animal selvagem assustam moradores do Pipiripau
Pegadas, fezes com pelos e fragmentos ósseos apareceram em uma chácara do núcleo rural, em Planaltina; o Ibram instalou armadilhas fotográficas e ainda não identificou a espécie
Moradores do Núcleo Rural Pipiripau II, em Planaltina, encontraram pegadas, fezes com pelos e dejetos com fragmentos ósseos em uma chácara da região, e o Instituto Brasília Ambiental (Ibram) instalou armadilhas fotográficas para tentar identificar o animal. Até esta sexta-feira (21), nada havia sido localizado pelo órgão.
A produtora Ana Lídia Gonçalves, de 42 anos, registrou os vestígios na propriedade dela e relatou o desaparecimento de quatro cães entre 3 e 17 de agosto. Segundo ela, as pegadas têm tamanhos diferentes, o que sugeriria a presença de um filhote acompanhando o animal adulto. O caso foi divulgado pelo Metrópoles nesta sexta-feira.
Ana Lídia contou que a chácara estava em silêncio na noite em que apontou a lanterna para o terreno e viu "um olho brilhando" no chão.
Além do Ibram, foi acionado o Batalhão de Polícia Militar Ambiental (BPMA). Nenhum dos dois órgãos confirmou a espécie até agora. Sem laudo, qualquer identificação é especulação, e é comum que rastros de animais domésticos de grande porte sejam confundidos com os de fauna silvestre.
O que fazer se você encontrar fauna silvestre
O Pipiripau fica na divisa da área urbana com o Cerrado preservado, e o avanço de chácaras sobre a vegetação nativa aproxima moradores de animais que antes só circulavam em áreas de mata. A recomendação dos órgãos ambientais em casos assim é direta:
- não se aproximar, não tentar capturar e não alimentar o animal;
- recolher os animais domésticos e manter cães e galinheiros em área fechada durante a noite;
- fotografar pegadas e vestígios à distância, com um objeto de referência ao lado para dar a escala;
- acionar o Ibram, responsável pelo manejo de fauna no DF, ou a Polícia Militar Ambiental pelo 190.
Vale registrar o local exato do vestígio. É essa informação que orienta onde as armadilhas fotográficas serão instaladas e o que sustenta a checagem posterior do órgão ambiental.
Zona rural e época seca
O aparecimento de vestígios coincide com o período mais seco do ano em Brasília, quando a escassez de água e alimento empurra a fauna do Cerrado para perto das áreas ocupadas. O DF acumula mais de 50 dias sem chuva, cenário que também mantém a cidade em alerta por baixa umidade.
O Ibram informou que nada foi encontrado até o momento e que as armadilhas seguem instaladas em pontos estratégicos da região. Não há prazo divulgado para a conclusão da checagem. Enquanto isso, a orientação para quem mora na região é a de sempre em episódio de fauna: registrar, avisar o órgão e não agir por conta própria.