Moradores do Lago Oeste pintam 11 paradas de ônibus com fauna e poesia do Cerrado
Projeto Rota Poética do Cerrado é custeado pelos próprios moradores e quer chegar a 23 pontos no núcleo rural
Onze paradas de ônibus do Núcleo Rural Lago Oeste ganharam pinturas com fauna, flora e poesia do Cerrado, em um projeto tocado e pago pelos próprios moradores da região. A informação é de reportagem publicada nesta terça-feira, 15 de setembro, pelo Correio Braziliense. A meta é chegar a 23 pontos.
O projeto é conduzido pela Associação dos Produtores do Núcleo Rural Lago Oeste (Asproeste) e recebeu o nome de Rota Poética do Cerrado. Nenhum recurso público foi usado: o custeio é integralmente privado, bancado pelos moradores.
A presidente da Asproeste, Marilza Speroto, conta que a ideia nasceu de uma tentativa de substituir o tom de advertência por outro registro. "Não bote fogo, não jogue lixo fora, não corte o Cerrado. Quando recebemos a autorização, pensamos em fazer algo mais lúdico", afirmou ao Correio.
O que mudou nos pontos
Antes da pintura, as paradas eram revestidas com tinta cal, o que afastava quem esperava o ônibus. O professor de jiu-jitsu Márcio Luca Beda, morador da região, descreveu o problema ao jornal.
"Ficávamos em outro lugar mesmo. A gente não senta porque aí vai manchar o uniforme com a tinta cal", disse.
O grafiteiro Vinicius Lapixa é um dos artistas envolvidos. "Fui convidado para fazer parte do projeto e achei muito interessante, porque a questão ambiental é muito atual", afirmou.
Para a moradora Giselle Silva, da Rua 5, a escolha do tema tem relação direta com o lugar. "Por ser uma região especial, um paraíso na terra, o Lago Oeste precisa ser preservado", disse ao Correio.
A psicóloga Márcia de Luca, moradora da Rua 0, destaca o efeito sobre a vizinhança. "Estamos falando de participação, de comunidade, e isso é o que é legal nesse projeto", afirmou.
Onde fica o Lago Oeste
O Núcleo Rural Lago Oeste fica na região da Sobradinho, na área rural ao norte do Distrito Federal, próximo à Chapada da Contagem. A ocupação é organizada em ruas numeradas, e o transporte público por ônibus é a alternativa para quem não dirige.
A pintura dos abrigos dependeu de autorização prévia, segundo o relato da presidente da associação, e o grupo decidiu trocar o texto de advertência ambiental por imagens e versos depois de obtê-la.
A reportagem não informa prazo para a conclusão das 12 paradas restantes nem o custo total já aplicado pelos moradores.
O Cerrado tem sido tema recorrente na agenda cultural do DF. Em 11 de setembro, o Daqui de Brasília reuniu o que ver no Jardim Botânico de Brasília no Dia do Cerrado.