Cidades

Programa da UnB discute ansiedade climática e quem sofre mais com ela

Episódio do Diálogos, da UnBTV, reúne duas pesquisadoras do Instituto de Psicologia sobre o sofrimento ligado à crise do clima

O programa Diálogos, da UnBTV, dedicou um episódio à ansiedade climática, o sofrimento psíquico provocado pela percepção das mudanças do clima. A produção foi divulgada nesta segunda-feira (14) pela assessoria da Universidade de Brasília e reúne duas pesquisadoras do Instituto de Psicologia da UnB.

Participam a professora Cláudia Pato e a doutoranda em Psicologia Social, do Trabalho e das Organizações Marcela Pesci. O episódio trata de como eventos extremos, secas prolongadas e enchentes deixam marcas que não se limitam ao prejuízo material.

"O sofrimento climático vai além do ambiente físico, ele também atinge os humanos e perpassa a mente e o corpo físico."

Como a ansiedade climática se manifesta

Segundo as pesquisadoras, o quadro aparece por um conjunto de sinais que costumam ser lidos como estresse comum:

  • Preocupação constante com o futuro do planeta
  • Raiva, tristeza e medo diante de notícias sobre desastres
  • Sensação de impotência
  • Pensamentos catastróficos
  • Engajamento excessivo com os impactos socioambientais, ao ponto de prejudicar a rotina

A ansiedade climática não é classificada como transtorno mental nos manuais de diagnóstico. É descrita pela psicologia ambiental como uma resposta emocional a uma ameaça real, o que a diferencia de um medo infundado.

Quem sente mais

As pesquisadoras apontam grupos mais expostos ao quadro: crianças e jovens, que crescem em um cenário de crise já instalada; moradores de regiões atingidas por eventos extremos; povos indígenas e populações tradicionais, cuja subsistência depende diretamente do ambiente; e profissionais da área ambiental e ativistas, que lidam com o tema todos os dias.

A UnB mantém pesquisas em psicologia ambiental no Instituto de Psicologia e outras iniciativas ligadas ao tema em diferentes unidades. Em agosto, a universidade abriu seminário gratuito sobre nova ordem mundial com debates abertos ao público.

Onde buscar apoio no DF

Quando o sofrimento passa a atrapalhar sono, trabalho ou estudo, o caminho de entrada na rede pública é a unidade básica de saúde, que faz o primeiro acolhimento e encaminha, se necessário, aos Centros de Atenção Psicossocial (Caps). O DF mantém unidades do tipo distribuídas pelas regiões administrativas, com atendimento gratuito e sem necessidade de encaminhamento prévio em situações de crise.

Em casos de sofrimento intenso, o Centro de Valorização da Vida (CVV) atende de graça pelo telefone 188, 24 horas por dia, e por chat no site da entidade.

Serviço

  • O quê: episódio do programa Diálogos sobre ansiedade climática
  • Onde assistir: canal da UnBTV no YouTube (youtube.com/watch?v=oo9jzwRacrc)
  • Quanto: gratuito
  • Convidadas: Cláudia Pato, professora do Instituto de Psicologia da UnB, e Marcela Pesci, doutoranda em Psicologia Social, do Trabalho e das Organizações
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