O caso Ana Lídia, 53 anos depois: o crime que Brasília não esqueceu
Réus absolvidos em 1975, caso reaberto em 1985 e prescrito em 1993; irmão da vítima morreu em novembro de 2025
O caso Ana Lídia completou 53 anos em setembro sem que ninguém tenha sido responsabilizado pela morte da menina, em 1973. O último capítulo veio com a morte do irmão dela, Álvaro Henrique Braga, em novembro de 2025, e foi contado pelo Metrópoles em 17 de setembro.
Ana Lídia Braga desapareceu em 11 de setembro de 1973, depois de ser deixada em uma escola particular da Asa Norte. Foi encontrada morta no dia seguinte, nas imediações da Universidade de Brasília. O crime é um dos mais lembrados da história da capital, e virou marco da cobertura policial em Brasília.
O processo que terminou sem responsável
A investigação levou ao banco dos réus o próprio irmão da vítima, Álvaro Henrique Braga, e Raimundo Lacerda Duque. Em junho de 1975, os dois foram absolvidos por falta de provas.
Outros dois nomes circularam como suspeitos ao longo dos anos: Alfredo Buzaid Júnior, filho do então ministro da Justiça, e Eduardo Ribeiro de Rezende, conhecido como Rezendinho, filho de um senador. Nenhum deles foi condenado.
O caso foi reaberto em 1985 e encerrado outra vez por falta de provas. A conta do tempo fechou em 11 de setembro de 1993, quando o crime prescreveu. Desde então, não há mais possibilidade jurídica de punir quem quer que seja pela morte da menina.
O fim da última testemunha da acusação original
Álvaro Henrique Braga mudou-se para o Rio de Janeiro depois de absolvido e formou-se médico, profissão que exerceu desde 1983. Morreu em 25 de novembro de 2025, aos 71 anos. Com ele, foi-se o personagem que sustentou por cinco décadas o único processo que o caso produziu.
A linha do tempo
- 11 de setembro de 1973: a menina desaparece depois de ser deixada em uma escola particular da Asa Norte.
- 12 de setembro de 1973: o corpo é encontrado nas imediações da UnB.
- Junho de 1975: Álvaro Henrique Braga e Raimundo Lacerda Duque são absolvidos por falta de provas.
- 1985: o caso é reaberto e volta a ser encerrado por falta de provas.
- 11 de setembro de 1993: o crime prescreve.
- 25 de novembro de 2025: morre Álvaro, aos 71 anos.
Por que o caso ainda é lembrado
Brasília tinha 13 anos quando a menina desapareceu. A cidade projetada, de população pequena e circulação previsível, viu-se diante de um crime que ocupou as primeiras páginas por meses e envolveu filhos de autoridades do regime militar.
O caso virou referência em reportagens, livros e documentários sobre a capital e é citado até hoje quando se discute investigação criminal no Distrito Federal. Meio século depois, o que resta é o arquivo: inquérito encerrado, réus absolvidos, prescrição consumada e nenhuma resposta sobre quem matou Ana Lídia.