PCDF trata como feminicídio a morte de idosa de 70 anos em Samambaia
Suspeito preso na sexta-feira confessou o crime; caso é apurado pela 32ª Delegacia de Polícia, em Samambaia Sul
A Polícia Civil do Distrito Federal trata como feminicídio o assassinato de Francisca Almeida da Silva, de 70 anos, morta em Samambaia. O suspeito, Leonardo Ferreira de Almeida, de 44 anos, foi preso na tarde de sexta-feira (14), depois de quatro dias de buscas, e confessou o crime em depoimento. A apuração está a cargo da 32ª Delegacia de Polícia, em Samambaia Sul.
Segundo o relato prestado à polícia, a mulher chegou ao imóvel na segunda-feira (10) e o flagrou usando crack. Ao ser ameaçado de denúncia, ele a esganou. A confissão foi registrada depois da prisão e ainda será confrontada com a perícia.
Como foi a captura
O homem permaneceu quatro dias foragido. De acordo com a apuração policial, ele se escondeu em uma área de mata e saía apenas para comprar mercadorias. Quando foi encontrado, estava com uma faca e usava um uniforme do Serviço de Limpeza Urbana (SLU), o que ajudava a circular sem chamar atenção.
A prisão foi resultado de operação de captura conduzida pela Polícia Penal. O chefe da 32ª DP, delegado Alexandre Gratão, acompanha o caso.
O suspeito estava em saída temporária
Leonardo estava preso no Complexo Penitenciário da Papuda havia mais de dez anos. Ele deixou a unidade no benefício da saída temporária do Dia dos Pais e não retornou no prazo, situação em que passou a ser considerado foragido. As informações divulgadas sobre o caso não especificam em qual regime ele cumpria pena quando obteve o benefício.
A saída temporária é prevista na Lei de Execução Penal e depende de requisitos de tempo de pena cumprido e de comportamento, avaliados pelo juiz da execução. Quem não retorna comete falta grave, o que implica regressão de regime e perda de dias remidos, além de responder pelos crimes praticados no período.
O que significa o enquadramento
O feminicídio é a morte de mulher por razões da condição do sexo feminino. Desde 2024, deixou de ser qualificadora do homicídio e passou a ser crime autônomo, com pena de 20 a 40 anos de reclusão. O enquadramento inicial é dado pela autoridade policial e ainda será avaliado pelo Ministério Público na denúncia e, depois, pela Justiça.
O suspeito responde também por outros crimes apurados no mesmo inquérito, que envolvem vítimas cuja identidade é preservada por determinação legal. Ele não foi julgado por nenhuma dessas condutas.
Onde denunciar
- 190: emergência em curso
- 180: Central de Atendimento à Mulher, gratuita e 24 horas
- 197: disque-denúncia da PCDF, para informações sobre foragidos