DNA leva à prisão suspeito de crime de 2014 em Planaltina
Perfil genético isolado das roupas da vítima em 2014 coincidiu com o de um homem cadastrado no banco nacional, doze anos depois
A Polícia Civil do Distrito Federal prendeu nesta quinta-feira (13) o homem investigado pela morte de uma adolescente de 17 anos em Planaltina, em 2014. A prisão preventiva foi cumprida pela Coordenação de Repressão a Homicídios e de Proteção à Pessoa, e o caso só avançou depois de um confronto de perfil genético feito doze anos após o crime.
A vítima tinha deficiência mental e vivia em situação de rua. O corpo foi encontrado em uma área de cerrado de Planaltina com 119 perfurações provocadas por faca. Na época, a investigação esbarrou na ausência de câmeras e de testemunhas.
O que mudou em doze anos
A prova que sustentou a prisão já existia desde 2014. Peritos isolaram naquele ano uma mancha biológica de origem masculina nas roupas da vítima, mas não havia com o que comparar o material.
O avanço das técnicas de biologia molecular e a ampliação do Banco Nacional de Perfis Genéticos mudaram o quadro. O Instituto de Pesquisa de DNA Forense da PCDF confrontou o material guardado com os perfis hoje disponíveis, e o resultado apontou coincidência exata com o do investigado.
"Foi uma investigação de extrema complexidade que se arrastava há 12 anos", afirmou o delegado Maurício Iacozzilli.
Quem é o suspeito
O investigado tem 31 anos e responde por tráfico de drogas e tentativa de homicídio. Ele ficou preso entre 2015 e 2017 e cumpria pena em regime domiciliar quando foi alcançado pelo resultado do exame. Como o processo está em fase de instrução, ele responde na condição de suspeito até eventual condenação com trânsito em julgado.
Por que o banco genético importa
O Banco Nacional de Perfis Genéticos reúne material coletado em cenas de crime e perfis de condenados por crimes graves, com regras de inclusão fixadas em lei. Cada novo perfil incorporado é cruzado com o acervo já existente, o que permite reabrir casos parados por falta de suspeito.
É esse mecanismo que explica por que um crime sem testemunha, sem câmera e sem confissão pode ser esclarecido uma década depois: não foi a investigação que encontrou o suspeito, foi o cadastro que alcançou a amostra guardada.
A PCDF tem usado a mesma via em outras frentes de casos antigos. Em julho, a corporação lançou um programa para restituir identidades a corpos não identificados e retomar apurações de desaparecimentos históricos do DF, também apoiado em genética forense.
Quem tem informação sobre casos arquivados pode acionar a Delegacia Eletrônica da PCDF ou o Disque-Denúncia 197, que recebe informações de forma anônima. A corporação também mantém ações periódicas de captura de condenados com mandado em aberto no Distrito Federal.