Saúde

André Watanabe, do transplante de fígado, vira Cidadão Benemérito de Brasília

Cirurgião do ICTDF recebeu o título em sessão solene na CLDF, por iniciativa do deputado Thiago Manzoni

O cirurgião André Luís Conde Watanabe recebeu o título de Cidadão Benemérito de Brasília na noite de quinta-feira (29), em sessão solene na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF). A homenagem partiu do deputado distrital Thiago Manzoni (PL) e reconhece o papel do médico na retomada do transplante de fígado no DF, em 2012.

O título vai a brasilienses que prestam serviço de relevante interesse à população local. Segundo a Agência CLDF, o serviço de transplante hepático da capital ficou suspenso por três anos até ser reiniciado, com Watanabe entre os principais responsáveis pela retomada.

Equipe cirúrgica durante procedimento em centro cirúrgico
Imagem ilustrativa de equipe cirúrgicaFoto: cottonbro studio/Pexels

Quem é o homenageado

Watanabe nasceu em Brasília em 1º de junho de 1982, filho de médicos formados pela Universidade de Brasília (UnB). Graduou-se em Medicina na própria UnB, em 2007, e se especializou em cirurgia geral no Hospital Regional da Asa Norte (HRAN). A formação em cirurgia do aparelho digestivo veio do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná, onde também fez mestrado com foco em cirurgia e transplantes.

Hoje ele é professor assistente da Faculdade de Medicina da UnB, gerente-geral de Assistência do Instituto de Cardiologia e Transplantes do Distrito Federal (ICTDF) e supervisor do Programa de Transplante Hepático da instituição. O ICTDF é uma entidade filantrópica conveniada à Secretaria de Saúde do DF (SES-DF).

Os números que ele apresentou

No discurso, o médico afirmou que mais de 1.300 pacientes fizeram transplante de fígado no DF desde 2012, mil deles no ICTDF, pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Disse ainda que, há mais de uma década, o Distrito Federal é a unidade da federação que mais faz esse tipo de transplante por milhão de habitantes.

Watanabe também comparou a mortalidade na fila: segundo ele, quem espera por um fígado em São Paulo tem 36,6% de chance de morrer sem conseguir o transplante, contra 5% em Brasília. Afirmou ainda que os pacientes transplantados no DF têm 11% mais chance de sobreviver à cirurgia do que a média nacional. Os percentuais são declarações do cirurgião na tribuna, e a CLDF não informou a fonte dos dados.

Segundo o médico, metade dos pacientes na fila do DF vem de outros estados. Ele lembrou que a imagem da medicina local ficou abalada desde a morte do presidente eleito Tancredo Neves, operado de urgência no Hospital de Base, e disse nunca ter aceitado que a capital federal estivesse destinada a ter uma medicina de segunda linha.

O pai do homenageado, o médico Luís Massaro Watanabe, pediu que o reconhecimento seja dividido com as equipes de saúde e com as famílias de doadores, que decidem pela doação em um momento de dor. A sessão contou com familiares, amigos, colegas e ex-professores do cirurgião.

A cerimônia completa está disponível no canal da TV Câmara Distrital no YouTube. Quem quiser entender como funciona a doação de órgãos no DF pode ler também a matéria do Daqui de Brasília sobre o primeiro transplante de medula óssea autólogo no Hospital de Base e a cobertura da outra homenagem recente na CLDF.