O nome que o eleitor lembrou sozinho: Robério Negreiros dobra marca no DF
Sem lista de candidatos na frente, 1,6% dos entrevistados citaram o deputado do Podemos para a Câmara Legislativa — eram 0,7% em agosto
Perguntar a alguém em quem vai votar para deputado distrital, sem mostrar lista, é um teste duro. A maioria não sabe responder. Entre os brasilienses que conseguiram cravar um nome nesta semana, 1,6% disseram Robério Negreiros — percentual que o coloca em quarto lugar na sondagem Correio/Opinião Inteligência Política que veio a público nesta quinta-feira (3/9).
Na medição de agosto, o mesmo deputado do Podemos aparecia com 0,7%. Dobrou. E, ao dobrar, passou por concorrentes que vinham à frente dele.
A conta que o corpo a corpo faz
Não há mistério na explicação que a campanha oferece: rodar. As fotos das últimas semanas mostram o parlamentar cercado em quadras, feiras e ruas de cidades fora do Plano Piloto, com apoiadores de camiseta amarela pedindo selfie. É o método mais antigo da política brasiliense e continua sendo o que produz lembrança de nome sem ajuda de cartaz.
Vale dizer o que o número é e o que ele não é. Numa disputa em que centenas de candidatos brigam por 24 vagas na Câmara Legislativa, marcar mais de um ponto no espontâneo já é sinal de que a candidatura saiu da estatística de fundo. Mas a pesquisa traz margem de erro de três pontos, o que significa que a diferença para os primeiros colocados — Jaqueline Silva (MDB) e Chico Vigilante (PT), ambos com 2,1%, segundo o Correio Braziliense — está dentro do intervalo estatístico. Não dá para dizer quem está na frente de quem lá em cima.
Como a sondagem foi feita
O levantamento é assinado pela Opinião Inteligência Política, contratado pelo Correio Braziliense, e recebeu o registro DF-04936/2026 na Justiça Eleitoral. Foram 1.121 entrevistas presenciais, feitas em 31 das 33 regiões administrativas, com intervalo de confiança de 95% e margem de três pontos percentuais.
Esse desenho, com pesquisador batendo perna nas cidades em vez de ligar telefone, é o que dá peso ao recorte por região — e ajuda a entender por que campanhas de distrital investem tanto em presença física.
A parte da eleição que Brasília decide por último
Historicamente, o voto para a Câmara Legislativa é o último a ser definido pelo eleitor do DF. Muita gente escolhe governador e senador semanas antes e só fecha o distrital na véspera, às vezes na fila da seção. É por isso que uma rodada de pesquisa em setembro diz menos sobre o resultado e mais sobre quem já conseguiu entrar na conversa.
Robério Negreiros disputa a reeleição com o número 20.000 e chega à reta final em curva de alta. Novas rodadas devem sair até outubro, e elas é que vão mostrar se o movimento desta semana era tendência ou oscilação.
Acompanhe também o outro capítulo do dia: a Justiça Eleitoral recusou o registro de Arruda ao Buriti.