Política

PSOL tem os mais votados do DF, mas PL leva mais cadeiras; entenda a conta

Fábio Felix e Max Maciel foram os mais votados do DF, mas o PL elegeu 8 deputados contra 3 da federação PSOL/Rede. Veja a conta do quociente.

Neste texto4 tópicos
  1. Por que o PSOL elegeu menos que o PL para a Câmara dos Deputados?
  2. E na Câmara Legislativa, o que aconteceu?
  3. O que é o voto de legenda e quanto ele pesou?
  4. Quem ficou mais perto de entrar na CLDF?

O PSOL teve os candidatos mais votados do Distrito Federal tanto para deputado federal quanto para deputado distrital, mas foi o PL que saiu das urnas com mais cadeiras. Os dados do TSE mostram por quê: no sistema proporcional, conta mais a soma de votos de todo o partido do que o desempenho de um único nome.

Fábio Felix, da Federação PSOL/Rede, fez 224.224 votos para deputado federal, o maior número do DF. Max Maciel, do mesmo grupo, liderou a disputa para a Câmara Legislativa com 92.234. Mesmo assim, a federação elegeu um deputado federal e dois distritais. O PL elegeu três e cinco.

Por que o PSOL elegeu menos que o PL para a Câmara dos Deputados?

A Federação PSOL/Rede somou 239.437 votos para deputado federal, contando os nominais e os de legenda. Desse total, 224.224 foram para Fábio Felix, cerca de 93,6%. Os demais candidatos do grupo tiveram poucos votos.

O quociente eleitoral para deputado federal no DF foi de 207.382 votos. A federação alcançou 1,15 vez esse número, o suficiente para uma vaga. O PL, por outro lado, somou 448.883 votos, mais que o dobro do quociente, distribuídos entre vários candidatos. Assim garantiu duas vagas direto e uma terceira na distribuição das sobras.

Na prática, os votos de Felix que passaram do necessário para elegê-lo não foram suficientes para puxar um segundo nome da federação.

E na Câmara Legislativa, o que aconteceu?

O padrão se repetiu na disputa distrital. A Federação PSOL/Rede teve 156.794 votos, e quase 59% deles vieram de Max Maciel. O grupo elegeu dois deputados: Max Maciel e Keka Bagno, os dois pelo quociente partidário.

O PL fez 272.579 votos para distrital, 3,85 vezes o quociente de 70.775. Nenhum candidato do partido passou de 46 mil votos, mas a soma elegeu cinco: Joaquim Roriz Neto, Roosevelt Vilela e Victor Jansen pelo quociente, e André Kubitschek e João Cardoso pelas médias.

Gráfico de barras com votos e vagas de cada partido ou federação na eleição para deputado distrital
As vagas na CLDF acompanham a votação total de cada legendaGráfico: Daqui de Brasília, com dados do TSE

O gráfico mostra que a quantidade de cadeiras acompanha a votação total de cada legenda. A Federação União/PP, por exemplo, ficou em segundo lugar em votos (201.546) e elegeu quatro distritais, sem ter nenhum candidato entre os cinco mais votados.

O que é o voto de legenda e quanto ele pesou?

O eleitor pode digitar só o número do partido, sem escolher candidato. Esse voto de legenda entra na soma do partido, mas não ajuda nenhum nome específico. Na disputa distrital, a Federação Brasil da Esperança (PT, PV e PCdoB) foi a que mais recebeu esse tipo de voto: 20.270. O PL teve 19.817.

Para deputado federal, a Federação Brasil da Esperança também liderou o voto de legenda, com 15.720 somados os três partidos, à frente do PL, com 12.815. A ordem em que o eleitor digita os números na urna, começando pelo deputado federal, foi explicada no guia sobre a ordem de votação na urna.

Quem ficou mais perto de entrar na CLDF?

Os suplentes mais votados para deputado distrital mostram o mesmo efeito ao contrário. Delegado Fernando Fernandes (Republicanos) teve 20.560 votos, Iolando (MDB) somou 19.780 e Julia Lucy (PL), 19.586. Os três ficaram de fora, enquanto Rogério Morro da Cruz (PSD) foi eleito com 19.603 votos, porque o PSD alcançou o quociente.

A disputa para a Câmara dos Deputados também reuniu nomes conhecidos do eleitor do DF. Em setembro, candidatos ao cargo participaram de um encontro sobre emprego e crédito, como o Daqui de Brasília mostrou ao cobrir o debate com candidatos a deputado federal.

O resultado final reforça uma regra antiga do sistema proporcional brasileiro: um candidato muito votado ajuda seu partido, mas é a votação do conjunto que define quantas cadeiras a legenda terá.

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