Ira Jovem leva propostas ao MP após veto de torcedores no Bezerrão
Organizada do Gama propôs catraca facial, entradas separadas e punição individual; MP avalia liberação para o jogo de 30 de agosto.
A torcida organizada Ira Jovem, do Gama, apresentou ao Ministério Público um conjunto de propostas para tentar reverter o veto à presença de seus integrantes nos jogos do clube. A reunião ocorreu nesta quarta-feira (26) e foi conduzida pelo procurador distrital dos direitos do cidadão, Eduardo Sabo.
O veto veio 11 dias antes do encontro, depois de uma série de confrontos e ameaças. A organizada ficou impedida de comparecer à partida entre Gama e São José (RS), quando a Justiça proibiu a presença da Irá Jovem no Bezerrão.
"Nosso papel não é intimidar, mas garantir a segurança da população, em todos os ambientes, em todos os momentos", afirmou Sabo. As informações são do Correio Braziliense.
O que a torcida propôs
- Reforço na identificação dos associados;
- Individualização da responsabilidade por atos de violência;
- Catracas com identificação facial no estádio;
- Entradas distintas para as torcidas;
- Ampliação do número de acessos, com implementação prevista para janeiro de 2027;
- Medidas disciplinares internas, como prestação de serviços em projetos sociais, doação de cestas básicas, suspensão e expulsão de associados;
- Encaminhamento dos identificados aos órgãos responsáveis.
O ponto central da negociação é a individualização. Enquanto a organizada responde como bloco, a punição atinge todos os associados, inclusive quem não participou de confronto. Ao propor identificação por associado e catraca com reconhecimento facial, a torcida tenta transferir a punição do grupo para o indivíduo.
Próximos passos
A Ira Jovem ficou de enviar até o fim da semana as informações sobre a regularização cadastral. Também tem 30 dias para apresentar os comprovantes das medidas previstas no Termo de Ajustamento de Conduta firmado com a Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor (Prodecon) em fevereiro de 2025.
A avaliação sobre eventual autorização para o jogo de 30 de agosto depende dessa entrega. O Gama recebe o ASA no Bezerrão naquele domingo, pela volta da semifinal da Série D, e precisa reverter a desvantagem da ida para chegar à final e ao acesso.
O TAC de fevereiro de 2025 já previa obrigações para a organizada. É o descumprimento apontado nesse acordo, somado aos confrontos recentes, que sustenta o veto atual. Por isso a apresentação dos comprovantes em 30 dias pesa mais que a lista de propostas: uma coisa é propor catraca facial, outra é demonstrar o que já foi cumprido.
A instalação de catraca com reconhecimento facial e a ampliação dos acessos dependem de investimento no estádio, que é público e administrado pelo GDF. Nenhum dos dois itens tem prazo confirmado além da previsão de janeiro de 2027 citada na reunião.
Não houve manifestação do Gama sobre as propostas apresentadas ao Ministério Público. A decisão sobre a liberação cabe à Procuradoria Distrital dos Direitos do Cidadão, que conduz o caso.