Primeiro surdocego a concluir mestrado na UnB defende pesquisa feita em Libras
Iury Moraes Eminergídio foi bolsista da FAPDF e agora quer trabalhar na formação de professores
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Iury Moraes Eminergídio tornou-se, neste ano, o primeiro estudante surdocego a concluir um mestrado na Universidade de Brasília (UnB). Ele defendeu o trabalho no mestrado profissional em Educação, com bolsa da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF), e já planeja o doutorado.
A informação é da Agência Brasília, que contou a trajetória do pesquisador nesta semana.
Uma dissertação que parte da própria experiência
Iury entrou na UnB em 2016 e concluiu o mestrado na Faculdade de Educação, sob orientação da professora Liège Kuchenbecker. A dissertação se chama O saber na experiência do trabalho com pessoa surdocega: uma escrita autobiográfica.
O método é a autobiografia. Ele revisitou a educação básica, a universidade e a vida profissional para analisar barreiras, estratégias e aprendizados ligados à educação de pessoas surdocegas. O estudo discute formação de professores, acessibilidade, tecnologias assistivas, formas de comunicação e o trabalho dos guias-intérpretes.
O texto foi produzido primeiro em Língua Brasileira de Sinais (Libras) e só depois traduzido para o português escrito, tratado como segunda língua.
O que o mestrado exigiu no dia a dia
Iury relata que acompanhar a rotina acadêmica pedia organização extra. Ele precisava marcar horário no laboratório de Libras, contar com guias-intérpretes e reservar mais tempo para ler textos longos e de vocabulário complexo.
Parte do processo envolveu gravar vídeos com ajuda de uma monitora e da orientadora para, depois, montar o conteúdo escrito. Em alguns períodos, o trabalho continuou em casa, com apoio da mãe, porque o tempo disponível na universidade não bastava.
A bolsa veio pelo Programa Permanente de Desenvolvimento da Pós-Graduação (PDPG), da FAPDF. Segundo ele, o dinheiro ajudou na permanência no curso, nas viagens para apresentar trabalhos e na compra de itens de acessibilidade. "A FAPDF me ajudou muito; permitiu que eu me apresentasse em vários lugares", disse.
Com esse apoio, Iury participou da Semana Universitária da UnB, de atividades com estudantes de pedagogia e da Conferência Nacional de Libras. Também foi palestrante no Congresso das Apaes, em Minas Gerais.
O que ele quer fazer agora
O plano é continuar na formação de professores, com cursos e estratégias que olhem para a pessoa e não só para o diagnóstico. "Gostaria que os professores entendessem que as pessoas surdocegas têm condições de aprender e se desenvolver", afirmou. Cursar o doutorado também está entre as possibilidades.
A conclusão do mestrado mostra que a inclusão no ensino superior vai além da matrícula: depende de condições para permanecer, pesquisar e participar da vida acadêmica. Quem quer conhecer outras iniciativas de apoio a estudantes no DF pode ler a matéria sobre as bolsas do EduSesc 2027 e a cobertura da merenda escolar com agricultura familiar.
Fonte: Agência Brasília, publicada em 1º de novembro de 2026.