Escola pública de medicina do DF chega aos 25 anos com mais de 2 mil formados e nota máxima no Enade
Senado fez sessão especial pelos 25 anos da Fepecs e da ESCS; estudantes aproveitaram a tribuna para cobrar a autonomia da escola
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O Senado fez nesta sexta-feira (25) uma sessão especial pelos 25 anos da Fepecs e da Escola Superior de Ciências da Saúde, a ESCS, escola pública do Distrito Federal que já formou mais de 2 mil médicos e enfermeiros.
A homenagem foi proposta pelo senador Izalci Lucas (PL-DF). Ele disse que as duas instituições ajudam a sustentar o Sistema Único de Saúde no DF e que o modelo de ensino põe o aluno diante do paciente desde cedo.
Que escola é essa e quem mantém
A Fundação de Ensino e Pesquisa em Ciências da Saúde, a Fepecs, é a fundação do governo do DF que cuida do ensino e da pesquisa dentro da Secretaria de Saúde. A ESCS é a faculdade mantida por ela, com cursos de medicina e de enfermagem.
As duas foram criadas em 2001. Na sessão, a diretora-substituta da ESCS, Cláudia Regina Zaramella, prestou homenagem à memória do médico Jofran Frejat. Segundo ela, a atuação do ex-secretário de Saúde do DF foi decisiva para tirar o projeto do papel.
A diretora-executiva da Fepecs, Vanessa Dalva Guimarães Campos, afirmou que a fundação nasceu para aproximar educação, ciência e saúde pública. "Muitos chegaram como alunos e hoje são profissionais que cuidam da população, ensinam novas gerações e contribuem para o SUS", disse.
Como a ESCS pontua no Enade
Izalci afirmou no plenário que a medicina da ESCS foi uma das oito instituições do país a tirar nota máxima no Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes em 2007. O resultado se repetiu em 2023, ao lado da Universidade de Brasília.
A enfermagem, segundo o senador, nunca perdeu a nota máxima desde a primeira avaliação, em 2013. Repetiu o desempenho em 2016, 2019 e 2023.

O professor de medicina Alécio de Oliveira e Silva acrescentou outro dado na tribuna. Disse que a ESCS é o único curso do DF com nota máxima no Enamed, o Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica.
O que os estudantes foram pedir no Senado
A parte menos protocolar da sessão veio dos centros acadêmicos. O representante do curso de medicina, Marcos Eduardo Vieira de Paula, usou o microfone para defender a aprovação de um projeto de lei complementar elaborado pela Procuradoria-Geral do Distrito Federal.
O texto, segundo ele, assegura à ESCS a preservação da identidade institucional e a restituição plena da autonomia didático-científica, administrativa e de gestão. Traduzindo: a escola quer de volta um grau de autonomia que hoje não tem.
A nota oficial da sessão não traz o número desse projeto nem informa onde ele está parado. Fica o registro para quem quiser cobrar: o pedido saiu da própria comunidade acadêmica, não da direção.
O presidente do centro acadêmico de enfermagem, Kécyo Dayvid Lopes Gomes, falou do método. Disse que a escola põe o estudante em contato direto com a comunidade desde os primeiros passos, pela metodologia ativa e pela aprendizagem baseada em problemas.
Por que isso importa para quem usa a rede pública
A ESCS forma profissionais dentro da própria rede da Secretaria de Saúde. O estudante acompanha atendimento em unidade básica e em hospital público do DF, e o professor costuma ser servidor da mesma rede.
Essa ligação é o que separa a escola de uma faculdade privada de medicina na cidade. Os formados abastecem a residência e os plantões de unidades como o Hospital de Base, cuja gestão presta contas na Câmara Legislativa, e a mesma rede que passou a oferecer um novo exame para meningite bacteriana neste mês.
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) defendeu na sessão mais investimento em pesquisa no DF. "O Distrito Federal pode ser o maior centro de pesquisa do país", afirmou.
Os números da homenagem
- Quando: sessão especial no plenário do Senado, em 25 de setembro de 2026.
- Quem pediu: senador Izalci Lucas (PL-DF).
- Homenageadas: Fepecs e ESCS, criadas em 2001 e ligadas à Secretaria de Saúde do DF.
- Cursos: medicina e enfermagem.
- Formados: mais de 2 mil médicos e enfermeiros, segundo o autor da homenagem.
- Nota máxima no Enade: medicina em 2007 e 2023; enfermagem em 2013, 2016, 2019 e 2023.
- Pedido dos estudantes: aprovação do projeto de lei complementar da PGDF sobre a autonomia da ESCS.
- Fonte primária: cobertura da Agência Senado.
A sessão terminou com a entrega de um diploma comemorativo e com a apresentação das duas baterias da escola, a Histeria, da enfermagem, e a Bicuda, da medicina. Quem quiser acompanhar o desdobramento do pedido dos estudantes precisa olhar a tramitação de projetos de lei complementar na Câmara Legislativa, já que o assunto é distrital e não federal.