Setur diz que vai manter a Rota do Rock após cobrança de Philippe Seabra
Curador do projeto e guitarrista da Plebe Rude reclamou da falta de manutenção das placas; secretaria respondeu em nota que quer fortalecer a continuidade da rota
A Secretaria de Turismo do Distrito Federal afirmou que pretende manter e fortalecer a Rota do Rock depois de o curador do projeto, o guitarrista e vocalista da Plebe Rude Philippe Seabra, reclamar publicamente da falta de manutenção das placas espalhadas pela cidade. A resposta veio em nota, sem cronograma nem valor de investimento.
A cobrança foi feita por Seabra em 22 de agosto, durante entrevista no festival C6 no Rock, em São Paulo. Ele disse que parte das placas instaladas nos locais históricos do roteiro não recebeu manutenção adequada e que outros trechos previstos nunca saíram do papel. Chegou a falar em retirar o projeto da secretaria caso não houvesse avanço.
Na resposta, a Setur-DF reconheceu que a iniciativa "tem se consolidado como um projeto de sucesso" e declarou interesse em "manter o projeto ativo e fortalecer sua continuidade". A nota não informou quantas placas serão recuperadas nem quando.
O que é a Rota do Rock
Lançada em 2021 pelo GDF em parceria com a Upis, a Rota Brasília Capital do Rock mapeia endereços ligados à formação do rock local a partir do fim dos anos 1970 e começo dos 1980, período em que surgiram Legião Urbana, Capital Inicial e a própria Plebe Rude. A ideia é transformar esses pontos em roteiro turístico sinalizado, com texto explicativo em português, inglês e espanhol.
A distância entre o projeto e a rua já tinha sido medida antes. Em levantamento publicado em julho de 2024, o Metrópoles apurou que, dos 39 pontos mapeados, apenas 13 tinham placa informativa segundo a própria secretaria, e a reportagem encontrou nove letreiros no local durante a visita. Não há levantamento público mais recente sobre quantas placas estão de pé hoje.
Por que isso importa para quem mora aqui
A rota é um dos poucos produtos turísticos de Brasília que não dependem da arquitetura de Niemeyer. Ela vende uma história que a cidade produziu sozinha, num período em que o rock brasiliense pautou o país inteiro, e usa endereços que o morador atravessa todo dia sem saber o que aconteceu ali.
Uma placa arrancada ou apagada tira o único elemento que transforma um estacionamento comum em ponto de visitação. Sem manutenção, o roteiro existe só no site.
Serviço
- O que é: Rota Brasília Capital do Rock, roteiro turístico com pontos ligados à história do rock local
- Onde: pontos espalhados pelo Plano Piloto e outras regiões do DF
- Quanto custa: gratuito, visitação livre
- Curadoria: Philippe Seabra, da Plebe Rude
- Realização: Secretaria de Turismo do DF em parceria com a Upis