Infinito Azul: 67 pinturas inéditas de Paulo Iolovitch na 202 Norte
Exposição na Referência Galeria de Arte celebra os 90 anos do artista e fica em cartaz até 21 de novembro
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A Referência Galeria de Arte, na 202 Norte, mostra até 21 de novembro 67 pinturas em acrílico do artista Paulo Iolovitch, o Azul, na exposição "Infinito Azul: Celebrando Paulo Iolovitch". A mostra marca os 90 anos de nascimento do pintor, que morreu em 2024, e reúne trabalhos inéditos, a maioria dos anos 1970.
A informação é do Correio Braziliense, que ouviu o curador Rogério Quintão. Ele era amigo de Iolovitch e foi quem abriu as caixas de quadros que o artista deixou no apartamento da 304 Sul.
Quem era o Azul
Iolovitch era um dos artistas mais populares do Distrito Federal. Nascido no Rio Grande do Sul, chegou a Brasília em 1962, acompanhando o grande amor que depois seria sua mulher e mãe dos dois filhos. Pintava em grande quantidade e vendia os quadros à noite, nos estabelecimentos boêmios da cidade.
Conhecido pela intensidade das cores, ele criou composições de cor intensa e traço solto. Numa fase, passou a pintar em formato quadrado, de 50 por 50 centímetros, que virou marca do trabalho dele. Quintão descreve um artista que transitava entre o sagrado e o profano e que frequentava ambientes underground da capital, como o Conic, fonte de inspiração para muitas telas.
O que está na galeria
As 67 obras da exposição vieram em parte do apartamento da 304 Sul. Quintão conta que algumas peças estavam deterioradas e que, junto com Yuki Iolovitch, filho do pintor, fez uma triagem: o que estava estragado ficou de fora. Mesmo assim, segundo ele, restam cerca de 10 mil trabalhos, muitos desconhecidos até de quem acompanhava a carreira do artista.
Para esta mostra, o curador escolheu um conjunto dos anos 1970. Na avaliação dele, aquelas telas representam a abertura que Iolovitch teve para sair do circuito das galerias. Na ditadura, diz Quintão, as galerias não aceitavam o trabalho dele e queriam coisas mais bonitinhas, como paisagens. Nessa série, o pintor quebra o padrão e faz do jeito que queria, num trabalho que ele define como de ruptura. A pintura é abstrata e flerta com a pop art.
Quando ir
A visitação cobre quase três semanas. Quem trabalha perto da 202 Norte consegue passar no horário de almoço ou no fim do expediente, de segunda a sexta. O sábado tem janela mais curta, só pela manhã e começo da tarde. A reportagem do Correio não informa preço de entrada, então vale ligar para a galeria ou olhar o perfil dela antes de ir, principalmente se você planeja levar um grupo.
Para quem gosta de arte feita por gente da cidade, a mostra tem um apelo extra: é a chance de ver uma produção que ficou guardada em caixas e que o próprio curador diz ser pouco conhecida. Se quiser emendar com outra mostra, a exposição de Yoshitaka Amano no CCBB Brasília encerra neste domingo (1º/11), e o Festival Despertacular ocupa o Espaço Cultural Renato Russo até o mesmo dia.
- O quê: exposição "Infinito Azul: Celebrando Paulo Iolovitch", com 67 pinturas em acrílico
- Curadoria: Rogério Quintão
- Onde: Referência Galeria de Arte, 202 Norte, Bloco B, Loja 11, Subsolo
- Quando: até 21 de novembro, de segunda a sexta, das 10h às 19h, e sábado, das 10h às 14h
- Quanto: o Correio não informa ingresso; confirme com a galeria