Café de São Sebastião busca as cafeterias de Brasília
Oficina da Emater-DF reuniu cerca de dez produtores em lavoura da região para ensinar a avaliar aroma, grão e bebida e a classificar o café em laboratório
Uma lavoura de café em São Sebastião foi o ponto de encontro de cerca de dez produtores rurais do Distrito Federal em uma oficina da Emater-DF sobre qualidade da bebida. A atividade integrou a 5ª Pegada Agroecológica, realizada entre 25 e 30 de agosto na região administrativa.
A oficina, chamada "Café sensorial: identificando a qualidade do seu café", percorreu as etapas que separam um grão comum de um café classificado como especial. A programação incluiu caminhada pelo cafezal, avaliação do cheiro do pó, observação dos grãos e degustação da bebida, segundo o Correio Braziliense, que acompanhou o encontro.
O caminho da xícara até o laboratório
A experiência começou pelo aroma. Os participantes sentiram o cheiro do café moído antes de provar, etapa que ajuda a perceber nuances de chocolate, caramelo e notas florais ou frutadas que passam despercebidas no consumo diário. Depois veio a degustação, que permite comparar aromas, sabores e sensações de diferentes tipos da bebida.
A atividade foi conduzida pela extensionista rural Josiane Lima, especializada na classificação de produtos. Ela explicou aos produtores como coletar uma amostra e enviá-la ao laboratório para descobrir que tipo de café a propriedade produz. O procedimento começa por uma análise física, que verifica grãos e defeitos, e passa depois pela análise sensorial, feita após a torra.
Por que o DF aposta em qualidade e não em volume
A escolha tem razão prática. Muitos produtores de São Sebastião cultivam café arábica em propriedades de área reduzida, o que limita a possibilidade de ampliar a colheita.
"O foco na qualidade é que vai levar o retorno financeiro da atividade, e não a quantidade de produção", resumiu Josiane Lima.
A estratégia defendida pela Emater-DF é agregar valor ao café produzido no Distrito Federal em vez de apostar apenas no aumento de volume. A oficina também apresentou aos produtores caminhos de aproximação com cafeterias da capital, criando uma ponte entre quem planta e os estabelecimentos que procuram cafés de qualidade.
O anfitrião do encontro foi João Pimenta da Veiga, de 79 anos, produtor rural na Fazenda São Bento do Tesouro e ex-ministro das Comunicações no governo Fernando Henrique Cardoso.
"Esse tipo de reunião nos proporciona algo fundamental, que é uma troca de conhecimento. Certamente, os que vieram viram alguma coisa que gostaram e outras que não gostaram. Poderão evitar erros nas suas próprias experiências", afirmou.
A produção rural do DF tem outras vitrines abertas ao público na cidade, como a feira de orgânicos no TJDFT, que reúne produtores locais no Plano Piloto.