Justiça nega pedido do MPF e solta Wilker Leão sem fiança após prisão na UnB
Juiz federal negou os R$ 20 mil de fiança pedidos pelo Ministério Público e também recusou medidas cautelares contra o candidato
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A Justiça Federal negou, no fim de setembro, o pedido do Ministério Público Federal (MPF) de fiança de R$ 20 mil contra o candidato a deputado federal Wilker Leão, preso em flagrante no dia 27 de setembro após apagar pinturas na fachada externa do Instituto de Artes (IdA) da Universidade de Brasília (UnB). O juiz federal Ricardo Augusto Soares Leite, da 10ª Vara Federal Criminal do Distrito Federal, também recusou as medidas cautelares solicitadas pelo órgão.
Por que o MPF pediu fiança e cautelares
Wilker Leão foi detido pela Polícia Federal depois de comparecer ao campus da UnB acompanhado de apoiadores e apagar pinturas que cobriam um muro externo do Instituto de Artes. O MPF viu no episódio dano ao patrimônio público e pediu, além do pagamento de R$ 20 mil em fiança, a proibição de que o candidato entrasse novamente no campus.

O que disse a decisão do juiz
Na decisão, o juiz Ricardo Augusto Soares Leite afirmou não haver fundamento para converter a prisão em flagrante em preventiva nem para impor fiança ou outras cautelares. Segundo o magistrado, não existe registro de condenação anterior por crime doloso contra Wilker Leão nem qualquer das hipóteses do artigo 313 do Código de Processo Penal que autorizariam a prisão preventiva.
O juiz também destacou que o MPF não apontou elementos concretos de risco de fuga, de interferência na coleta de provas ou de ameaça a pessoas ligadas ao caso, condições que a lei exige para justificar a imposição de cautelares mais rígidas. Por isso, a liberdade de Wilker Leão não ficou condicionada ao pagamento de qualquer valor.
O que muda para a candidatura
Wilker Leão concorre a uma vaga na Câmara dos Deputados pelo partido Novo. Ele é ex-aluno da UnB e foi expulso da universidade em 2025 após ser condenado pela Justiça do Distrito Federal por calúnia e injúria contra um professor da instituição, histórico que não pesou, segundo a decisão, para a definição da prisão preventiva no novo episódio.
A ação de apagar as pinturas gerou reação dentro da comunidade acadêmica. Estudantes da UnB organizaram uma mobilização para repintar o muro atingido, episódio que ficou conhecido entre os universitários como repintasso.
O que falta no processo
- Conclusão do inquérito sobre o dano ao patrimônio da UnB
- Possível ação penal por parte do MPF com base nas provas colhidas
- Manifestação da reitoria da UnB sobre eventual reparação do muro do Instituto de Artes
Procurada, a assessoria de Wilker Leão não respondeu até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto para posicionamento.
A UnB não se manifestou oficialmente sobre o valor do dano causado ao patrimônio nem sobre eventual cobrança de ressarcimento ao candidato.