Rapper brasiliense Mazza volta ao independente no single Dia de Sorte
Depois de anos ligado à Universal Music, o artista lança faixa em parceria com o produtor Tru3 Beats, gravada em Florianópolis na virada do ano
O rapper brasiliense Mazza voltou a lançar música fora de uma grande gravadora. Depois de alguns anos ligado à Universal Music e de um período de reestruturação profissional, ele acaba de lançar o single Dia de Sorte, em parceria com o produtor e artista Tru3 Beats, que marca o retorno ao trabalho independente.
A faixa mistura elementos do trap, presentes na trajetória do artista, com características do boom bap, principalmente na cadência e no peso dado à palavra. A produção abre mais espaço para timbres orgânicos do que os trabalhos anteriores.
A ideia por trás do título não é a da sorte como acontecimento extraordinário. A música parte do princípio de que cada novo dia pode representar outra oportunidade de agir.
"A música fala sobre uma nova forma de enxergar o mundo. Cada dia é uma nova oportunidade e, por isso, todo dia também pode ser o nosso dia de sorte", resumiu Mazza em entrevista ao Correio Braziliense.
Ao reassumir o controle da própria carreira, o rapper afirma ter recuperado uma energia criativa que não experimentava havia algum tempo. O recomeço profissional, segundo ele, deixou de ser assunto de bastidor e passou a fazer parte da narrativa das músicas.
Dia de Sorte nasceu na primeira semana de janeiro, quando Mazza viajou para Florianópolis para passar a virada do ano. Foi na cidade que encontrou Tru3 Beats, parceiro com quem mantém relação artística e pessoal há cerca de três anos.
Nascido em Santa Cruz do Sul, no Rio Grande do Sul, e radicado em Florianópolis, Tru3 atua como DJ, produtor e artista, transitando por hip-hop, R&B, trap e pop. Trabalha com produção desde 2017 e está à frente da Koé Records, selo e estúdio voltado ao desenvolvimento de artistas de música urbana.
A participação dele na faixa não estava no plano original. Tru3 entraria apenas na produção, mas decidiu somar a própria voz à gravação depois de se identificar com a sonoridade e com a mensagem.
"A princípio, a faixa seria apenas minha, mas, no meio do processo, ele se identificou tanto com o som que pediu para entrar. A amizade deixou o resultado ainda mais forte", contou Mazza.
A colaboração, portanto, não nasceu como participação planejada. Ela apareceu durante a própria criação e transformou uma parceria de produção em um encontro também diante dos microfones.
O lançamento marca uma mudança de prioridades mais do que uma ruptura estética: Mazza mantém a linguagem contemporânea dos discos anteriores, mas dá mais atenção ao conteúdo das composições e usa as próprias experiências como matéria-prima.
Até a publicação desta matéria, não havia show de lançamento anunciado em Brasília. Quem acompanha o cenário do rap na cidade tem, em agosto, uma alternativa com data marcada: o Sesc + Rap leva Djonga e Duquesa a Ceilândia em 29 de agosto, com ingressos gratuitos.