Projeto teatral leva memórias de mulheres candangas a escolas do Gama até dia 9
Projeto da UnB com apoio do FAC-DF apresenta performances sobre mulheres candangas em escolas do Gama até 9 de outubro, com sessões para estudantes.
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Um projeto teatral da Universidade de Brasília leva até sexta-feira (9) a estudantes do Gama histórias de mulheres que ajudaram a construir a capital federal. O "Candangas Palavras", com quatro performances baseadas em relatos de história oral, ocupa escolas do Gama, cidade que também recebeu em setembro o festival gospel Adore Gama, no Centro Educacional 01 e no Centro de Ensino Fundamental 10 em sessões de manhã, tarde e uma única sessão noturna, no dia 8 de outubro.
O que é o projeto e quem produz
O trabalho é assinado pelo grupo de pesquisa Vocalidade e Cena, da UnB, com direção teatral de Jemima Tavares e coordenação pedagógica de Sulian Vieira. A montagem recebeu recursos do Fundo de Apoio à Cultura (FAC) da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do DF e nasceu do mestrado de Tavares em Artes Cênicas, que cresceu parte da infância no próprio Gama e usou memórias de família na dramaturgia, incluindo expressões ouvidas dos avós e histórias contadas pela mãe.
A dramaturgia das quatro performances parte de entrevistas do Programa de História Oral do Arquivo Público do Distrito Federal, reunidas em pesquisa acadêmica publicada na revista Voz e Cena, da própria UnB, em 2024. O material reconstrói o papel de mulheres candangas que chegaram, trabalharam e resistiram durante a construção e a consolidação de Brasília e de outras regiões administrativas, um recorte histórico que raramente aparece nos registros oficiais da fundação da cidade, concentrados nos nomes de arquitetos e autoridades.
Como funcionam as sessões
As apresentações aconteceram no Centro Educacional 01 do Gama entre 29 de setembro e 1º de outubro, nos turnos da tarde. De 7 a 9 de outubro, a temporada segue no Centro de Ensino Fundamental 10, com sessões de manhã (8h às 9h30 e 10h30 às 12h) e de tarde (13h30 às 15h e 16h às 17h30). No dia 8, às 19h30, há uma sessão extra no período noturno. Depois de cada apresentação, a equipe conduz exercícios teatrais com os estudantes sobre o conteúdo visto em cena.
O projeto é dirigido à comunidade escolar das duas unidades e não é uma apresentação aberta ao público em geral: as sessões ocorrem dentro do horário letivo e têm estudantes e professores como público-alvo. Quem não é da comunidade escolar das duas escolas não tem acesso às sessões.
Por que o Gama entra nesse debate
O Gama foi uma das primeiras cidades-satélite erguidas para abrigar trabalhadores da construção de Brasília e suas famílias, no fim dos anos 1950. Levar o tema para dentro das escolas da região reconecta uma geração de estudantes à própria história local, numa cidade que cresceu junto com o canteiro de obras da capital e que até hoje preserva marcas desse período na memória de moradores mais antigos, como mostra o acervo do Museu Vivo da Memória Candanga.
Jemima Tavares já discutiu o projeto em outros eventos acadêmicos, como a mesa "aPós Explorações" da UnB, sobre o diálogo entre narrativas da presença negra no DF e a participação feminina na construção de Brasília. A expectativa da equipe é que o material sirva de base para novas apresentações em outras regiões administrativas depois da temporada no Gama, ampliando o alcance da pesquisa que já rendeu dissertação de mestrado e artigo acadêmico publicado.